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Fernanda Montenegro viverá octogenária que busca liberdade

27 dez 2012
10h12
atualizado às 10h13
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A vitalidade e o bom humor de Fernanda Montenegro são mesmo de impressionar. Aos 83 anos, a atriz está longe de perder o interesse pela vida e, principalmente, por seu trabalho. Isso se vê claramente quando ela começa a conversar sobre seu novo papel, a adorável Picucha de Doce de Mãe. Telefilme especial de fim de ano da Globo, a produção explora, em um misto de comédia e drama, o desejo de liberdade de uma octogenária que, ao ver sua fiel empregada deixá-la para se casar, tenta convencer os filhos de que não precisa que nenhum deles mude sua rotina para tomar conta da mãe. Uma situação que, confessa, apresenta semelhanças com a sua realidade. Talvez por isso, a emocione e divirta tanto. "Estou em uma idade provecta. Mas, se ainda estou aqui dando essa entrevista e recebo tantos convites para atuar é porque, segundo dizem, continuo dando conta. Acho que posso dizer que me pareço um pouco com minha personagem", avalia.

Aos 83 anos, a atriz viverá Picucha, na microsérie 'Doce de Mãe'
Aos 83 anos, a atriz viverá Picucha, na microsérie 'Doce de Mãe'
Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

Gravado em Porto Alegre, o telefilme tem 70 minutos e, além de Fernanda, traz Marco Ricca, Louise Cardoso, Matheus Nachtergaele, Mariana Lima e Daniel de Oliveira no elenco. Os quatro primeiros interpretam os filhos de Picucha, que chegam a tentar se revezar na casa da mãe para cuidar dela. Já Daniel vive um morador de rua que acaba se tornando a saída perfeita para que a idosa fuja dos cuidados excessivos de seus herdeiros. Ela o convida para morarem juntos, garantindo seu livre arbítrio sem a intervenção de qualquer parente. "Essa geração de mulheres saiu das mãos dos pais para o marido, passou das mãos dele para os filhos e muitas foram dali para o cemitério. Tem uma hora em que, não importa a idade, qualquer pessoa quer ser independente", justifica Fernanda, que chegou a gravar cenas sambando para o especial.

A intenção do diretor Jorge Furtado é transformar Doce de Mãe em série, na grade de 2013 da Globo. Fernanda compartilha desse desejo, mesmo sabendo que isso fará com que o próximo ano seja intenso em relação a trabalho. Ela já começa, em fevereiro, a direção de um espetáculo encenado por Otávio Augusto, chamado Nelson Rodrigues Por Ele Mesmo. Também está confirmada no elenco do remake de Saramandaia, que terá cerca de 70 capítulos. Mas um detalhe conta demais para que Fernanda se esforce na tentativa de conciliar tudo. "Gosto de comédias e tenho sentido falta de fazer. Embora a gente conte uma história cheia de emoção, o humor tem presença forte nesse projeto", observa.

Fernanda garante que não pensa em deixar de fazer novelas, mas admite que é preciso uma história que a agrade para dizer "sim". "A última boa novela que fiz foi Belíssima. Gostei de Passione, mas a primeira era mais domada e tinha personagens melhor definidos", opina, ao confirmar que não pretende fazer qualquer aparição no remake de Guerra dos Sexos, exibido atualmente na Globo, às 19 horas. "Aquilo ficou no passado. Foi há 30 anos. Era um tempo em que não havia celular, internet, nada disso. Ainda se usavam meninos de recado", lembra ela, que encarnou a protagonista Charlô na primeira versão da obra de Silvio de Abreu. 

Tratada como uma unanimidade no meio artístico por quase todos os colegas de profissão, Fernanda faz questão de deixar claro que não se identifica com essa posição quase mítica que ocupa. E também rejeita quando insistem em chamá-la de diva do teatro e da televisão brasileira. "Isso não existe. Temos atrizes extraordinárias. De vez em quando, você faz um trabalho que te coloca na luz. Aí, outra de nós faz algo que toma uma luz maior. E que, depois, vai cair novamente na entressafra. Isso não circunscreve ninguém em ordem de melhor ou pior", argumenta.

Marcas da vida
Fernanda Montenegro não chega a se orgulhar das marcas que o tempo deixou em seu corpo. Mas afirma que convive bem com a pele enrugada pela idade e até se favorece em sua carreira em função dela. Principalmente porque, ao ser escalada para interpretar apenas tipos da terceira idade, normalmente pega personagens com conflitos mais densos e interessantes que os puramente românticos. "É um certo descanso. Só me dão velhas para fazer. E geralmente são papéis muito bons. Às vezes, como em Belíssima, ainda faturo um garotão no final", brinca, lembrando o desfecho da vilã Bia Falcão, que acabava a novela junto ao garoto de programa Mateus (Cauã Reymond).

Fernanda, no entanto, conta que não chegou a se fechar para as cirurgias plásticas e outros tratamentos estéticos. Na verdade, essa foi uma alternativa que simplesmente não passou por sua cabeça. "Quando abri os olhos, já estava tarde para isso. Então, decidi seguir assim o resto do tempo que me sobrar", diz.

Instantâneas
# Fernanda Montenegro foi convidada para interpretar a vilã Dra. Júlia em Caminhos do Coração, primeira parte da trilogia Os Mutantes, de Tiago Santiago. Na época, o autor escreveu a personagem para a atriz, que recusou a proposta. O papel ficou com Ítala Nandi, que já estava reservada para a novela.

# Fernanda Montenegro é mãe da atriz Fernanda Torres e do cineasta Claudio Torres.

# Uma das salas do Teatro Leblon, na Zona Sul carioca, foi batizada com o nome da atriz. O espaço tem 417 lugares.

# Assim como Picucha, Fernanda se diz uma grande admiradora da Música Popular Brasileira. Seus artistas preferidos são Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola. 

Fonte: TV Press
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