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Flávia Alessandra "encarna" mocinha contemporânea em novela

23 abr 2009
07h30
atualizado às 07h41
Flávia Alessandra fala sobre vida profissional
Flávia Alessandra fala sobre vida profissional
Foto: Divulgação



Flávia Alessandra não via a hora de voltar a trabalhar com Walcyr Carrasco e Jorge Fernando. Intérprete da refinada Daphne em Caras e Bocas, a atriz estava "devendo" a parceria com o autor e o diretor da novela das sete da Globo desde 2007.

Na época, Flávia estava reservada para protagonizar Sete Pecados quando teve de substituir, às pressas, Luana Piovani, no elenco de Pé na Jaca. Vista como um dos trunfos pelos dois responsáveis pela nova trama, a atriz não economiza esforços para tentar convencer na pele de uma mocinha contemporânea.

"Estou gravando sem parar e sempre muito focada em acertar. Não tenho a pretensão de achar que eu levanto a audiência, mas sei que quero muito tentar", avalia a moça, que chegou a ser convidada para protagonizar Negócio da China, mas recusou.

Na história, Daphne tem um amor correspondido, mas que ficou no passado, pelo mocinho Gabriel, de Malvino Salvador. Do namoro adolescente nasceu Bianca, vivida por Isabelle Drummond, que tentará a partir dos próximos capítulos casar os pais a qualquer custo.

Para interpretar uma mãe de adolescente, Flávia contou com a ajuda da figurinista Marília Carneiro, que tratou de modificar sua postura com acessórios de "peso". "Os saltões, cintos e as roupas mais folgadas funcionam como uma espécie de armadura para me encaixar nesse perfil mãe 'madura'", garante.

Sua última mocinha foi há sete anos, em O Beijo do Vampiro. Você tem medo de cair na rotina da boazinha e ficar chata no ar?
Não tenho medo dessas coisas. Vejo uma certa continuação na atualização do conceito de mocinho e mocinha com Caras e Bocas. Os autores têm apostado mais em mulheres contemporâneas, cheias de personalidade, compatíveis com a realidade atual. A Daphne tem muito esse lado independente, de pessoa que não leva desaforo para casa e não depende de homem nenhum. O medo que algumas atrizes têm é de ficar rotuladas em algum papel. Na maioria dos casos, nosso primeiro desabrochar é em mocinhas e existe um grande receio de ficar estagnada como a boazinha. Esse não é o meu caso. Minha primeira mocinha foi em Porto dos Milagres e depois disso já fiz vários papéis diferentes, inclusive uma grande vilã em Alma Gêmea.

Quais foram as recomendações recebidas do autor Walcyr Carrasco e do diretor Jorge Fernando quando você começou a se preparar para a novela?
Quando começamos os trabalhos, o Jorginho veio com um discurso bacana de não termos muitas pretensões. Um esquema meio de fazer dia após dia, como os folhetins de antigamente. Tentar resgatar aquele formato novelão mesmo. Uma certa inspiração em histórias que ficaram na nossa memória, com seqüência pastelões que a gente ama até hoje. Como Guerra dos Sexos, Vereda Tropical, enfim, tem uma lista enorme. A gente perdeu isso. Parece que tudo hoje em dia tem de ser mirabolante. A nossa idéia é fazer pouco, de mansinho, mas com o coração. Tudo focado na trama e no texto. Não tem nada fenomenal, não é um acontecimento, mas é lindo de se ver. E eu estou sentindo isso.

Nas gravações, você brinca que é um absurdo interpretar a mãe de uma menina de 15 anos. Você se assustou com isso?
Não, é pura brincadeira mesmo. Eu até teria engravidado em uma idade tranqüila se fosse mãe da Isabelle Drummond. Seria mãe aos 19, nada anormal. Claro que eu preciso trabalhar uma postura diferente para marcar essa maturidade. E o figurino me ajuda muito. A Daphne usa peças com saltões, mangonas, cintos e outros acessórios que dão uma pesada, uma encorpada. Vira uma espécie de armadura para essa transformação. É diferente da minha realidade, porque minha filha tem só 9 anos.

Você já tinha planos de voltar a atuar com o Jorge Fernando e o Walcyr desde o final de Alma Gêmea. Como foi esse retorno na faixa das 19 horas, mais cômica?
Eles já experimentaram esse horário antes, com Sete Pecados. E por mais que eu não tenha participado do projeto, acompanhei como telespectadora, o que me ajuda muito. A verdade é que me sinto muito à vontade com o texto do Walcyr. Isso em qualquer horário. E acho o Jorge muito cuidadoso na direção. Mas claro que é uma coisa nova, dá um frio na barriga. Só que a gente fica o tempo todo se queixando, pedindo para não fazer a mesma coisa, para não enjoar. É isso que está acontecendo comigo agora. Volto com Jorge e Walcyr, mas num outro tom, um outro posto e um outro horário. E vai ser uma delícia ver isso funcionar bem.

Antes de ingressar em Caras e Bocas, você recusou protagonizar Negócio da China. Foi para fazer essa novela?
Acabou encaixando certinho, mas não teve relação. Dei uma pausa ótima, mas porque eu precisava. Recomendação médica, inclusive. Adoro o Miguel Falabella e o Roberto Talma, mas teria praticamente uma semana de férias entre Negócio da China e Duas Caras. E eu precisava consertar todos os problemas que a personagem Alzira deixou. Lesionei o cotovelo, o pulso, abri o joelho, enfim, foi um desgaste físico muito forte. Na época que ainda estava gravando, fui ao médico e ele me pediu, no mínimo, dois meses de descanso total. Mas não tinha como, eu estava no ar, tinha de fazer as cenas. Acabei lesionando mais, mais, mais e quando acabou, fui direto para a fisioterapia. Levou um bom tempo para sair da Alzira por essas coisas.

A Alzira começou sem grande visibilidade e ganhou ares de protagonista no meio da novela. Você esperava essa repercussão?
Desde o início eu sabia que era um papel terciário. Meu nome vinha em 34º na sinopse. E, de cara, adorei. Eu ia gravar pouquinho, teria tempo para minha filha. E seria leviano eu dizer que não esperava nada, porque sentia que podia dar muito "caldo". Ela me dava uma gama de possibilidades de interpretação que eu nunca tinha feito antes. Quando o Wolf me chamou, não pensei duas vezes. Ele ficou dizendo que não era um dos principais e eu deixei bem claro que não tinha o menor grilo com isso. Vi de cara que dava para seguir um caminho novo. E sabia que a história da "Pole Dance" ia dar o que falar porque ainda não era muito conhecida aqui. Mas confesso que eu não tinha noção que fosse alcançar aquela dimensão toda. Comemorei muito com o Otaviano, meu marido, na época, porque nós dois estávamos em papéis bacanas no ar.

Agora o Otaviano faz novela com você. Rolou um "empurrão" seu para que isso acontecesse?
Sinceramente, não. Mas é claro que, se fosse preciso, eu daria. Eu não tenho esses problemas, um tem de ajudar o outro. Mas não foi o caso. A gente compartilha muito nossas dúvidas, planos, e decidimos tudo junto. Quando ele não fechou longo prazo com a Record, foi decisão nossa esperando que outra coisa pudesse aparecer. Mas quando ele estava em Amor e Intrigas, na Record, o próprio Walcyr me ligou dando bronca.

O que o Walcyr falou?
Ele reclamou que eu nunca avisei que tinha um marido que atuava tão bem. Foi perto da época em que ele estava estreando Sete Pecados, mas a gente queria que as coisas caminhassem sozinhas. Só que, se não acontecesse nada, é óbvio que eu não teria qualquer problema em pedir que dessem uma força para ele. Acho isso natural.

Como você reage a esses comentários de que o Otaviano só assinou com a Globo por sua causa?
Já me acostumei. Acho que sempre vão especular alguma coisa. Se eu engordar, vão dizer que estou grávida. Se eu sair sem aliança, vão noticiar que me separei. Se eu sair em viagem com meu marido, é porque estamos em lua de mel. Nunca tive esses grilos. Aprendi a conviver com esses probleminhas desde a época em que fui casada com o Marcos Paulo. Não fico esperando comentários bonzinhos a nosso respeito, acho normal. E a gente sabia que isso ia acontecer, somos bem tranqüilos nesse ponto.

Sem amarras
Flávia começou a atuar na televisão há 20 anos, em 1989, depois de vencer um concurso no Domingão do Faustão. Mesmo assim, só viu sua carreira decolar para valer na tevê depois que se separou do diretor Marcos Paulo, em 2002.

Na época, a atriz ficou um bom tempo sem pegar nenhum personagem fixo na televisão até 2005, quando conquistou o papel da megera Cristina, de Alma Gêmea. "Fiquei feliz por poder mostrar que minha vontade de atuar e as oportunidades que conquistei não tinham a ver com meu casamento", lembra ela, que concorda com a mudança que veio junto com a nova fase da vida.

A ascensão artística abriu possibilidades para que Flávia se permitisse outras aventuras na vida. A atriz só aceitou posar nua em 2006, depois de estourar como a vilã Cristina. E garante que sempre soube que, um dia, se despiria em uma revista. "Eu sabia que tinha o tipo 'gostosona', mas não precisava mostrar isso. Queria antes atingir um patamar profissional para, só depois, topar esse tipo de exposição. A 'Playboy' ganhou a Flávia, não foi o contrário", valoriza.

Entre a razão e a paixão
Por um bom tempo, Flávia Alessandra viveu as angústias de não ter uma carreira estável como atriz. Tanto que cursou a faculdade de Direito para não ficar só esperando que oportunidades artísticas aparecessem. E quase montou um escritório. Só não o fez porque assinou seu primeiro contrato longo com a Globo logo depois de se formar, para interpretar a doce Dorothy de A Indomada. "Sonhava me sustentar como atriz, mas não queria correr o risco de não ter outros planos", pondera.

O esforço na tentativa de ser atriz foi recompensado quatro anos depois, quando Flávia ganhou sua primeira protagonista. Em Porto dos Milagres, interpretou a sensual Lívia. E já no ano seguindo assumiu mais uma vez o posto de mocinha com uma outra Lívia, desta vez em O Beijo do Vampiro. Mas essa última não teve um resultado tão bom quanto o esperado. Na época em que gravava a novela, Flávia estava se divorciando de Marcos Paulo, que a dirigia no folhetim. "Guardo lembranças maravilhosas dessa época. Até porque não foi nada fácil. E foi a primeira personagem que fiz escrita para mim", recorda.

Trajetória televisiva
Top Model (Globo, 1989) - Tânia.
Mico Preto (Globo, 1990) - Francisca.
Sonho Meu (Globo, 1993) - Inez.
Pátria Minha (Globo, 1994) - Cláudia.
História de Amor (Globo, 1995) - Soninha Toledo.
A Indomada (Globo, 1997) - Dorothy Mackenzie.
Meu Bem-Querer (Globo, 1998) - Lívia Maciel.
Aquarela do Brasil (Globo, 2000) - Beatriz.
Porto dos Milagres (Globo, 2001) - Lívia Proença.
O Beijo do Vampiro (Globo, 2002) - Lívia.
Da Cor do Pecado (Globo, 2004) - Lena.
Alma Gêmea (Globo, 2005) - Cristina.
Pé na Jaca (Globo, 2006) - Vanessa.
Duas Caras (Globo, 2007) - Alzira.
Caras e Bocas (Globo, 2009) - Daphne.








Fonte: TV Press

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