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28 de junho de 2010 • 11h05 • atualizado às 12h22

Gabriela Duarte rejeita rótulo de chata e diz que é legal

"Eu sou legal", diz Gabriela Duarte
Foto: TV Globo / Divulgação
 
GUILHERME SCARPA
Rio de Janeiro

Quando a entrevista chegou ao fim, ela exclamou: "Nossa! Parece até que saí de uma sessão de terapia. Doeu um pouquinho". Corajosa, Gabriela Duarte falou por cerca de 50 minutos, com toda a calma, sobre os 21 anos de carreira, as inevitáveis comparações com a mãe, Regina Duarte, a fama de chata, conquistada graças a Eduarda, sua personagem em Por Amor - novela que está sendo reprisada no canal a cabo Viva -, e a oportunidade de desfazer a imagem de "certinha" diante do público, com a divertida e insaciável Jéssica, de Passione. "Eu sou legal!", diz ela, que também bebe, tem ressaca, fantasias sexuais e fala palavrão como qualquer mortal.

"Tem pessoas que, por uma razão ou outra, têm preconceito contra mim. Durante algum tempo, elas me confundiram muito com a Eduarda, achando que eu era chata, metida. Isso era uma maldição", desabafa ela, que se orgulha de ter vivido a protagonista da novela de Manoel Carlos, em 1997. "Vou morrer sendo muito grata a ele. Mas eu estava muito exposta. Sendo filha da minha mãe na história, a abertura com fotos nossas. Eu tive muita coragem de enfrentar aquilo tudo. Tinha 20 e poucos anos, era o que eu podia fazer e me joguei", relembra ela, que, antes de Por Amor, viveu, no remake de Irmãos Coragem, a mesma personagem que coube a Regina Duarte na primeira versão da novela, em 1970. "Eu não faria Irmãos Coragem. Mas recebi um convite do Luiz Fernando Carvalho (diretor). E não é toda hora que a gente recebe. Quando você faz uma mesma personagem, tem um preço. Esse balanço, em algum momento, foi feito nas minhas terapias. Passei um período dizendo: 'Ai, chega! Não aguento mais'", revela a atriz, sobre as comparações com a mãe.

Mas hoje, aos 36 anos, Gabriela está vivendo uma fase totalmente diferente, tanto na vida pessoal como na carreira. E, segundo ela, tudo isso tem a ver com Silvio de Abreu, autor de Passione. "Ele é um cara com quem já tive outros contatos. Quando eu ainda estava fazendo Sete Pecados (2007), a gente conversou e ele me disse: 'Gabriela, está na hora de você ter outras oportunidades. Tem que mudar!' E a comédia te faz ver o mundo de outra forma. Eu estou me divertindo, adorando", conta ela. Quem compartilha dessa mesma satisfação é o autor da trama das 21h. "Achei que seria uma boa personagem para a Gabriela por ser o oposto de tudo que ela vinha fazendo em televisão e por ser comédia, que ela tanto queria fazer. Depois da Jéssica, muitos autores, diretores e o público, principalmente, vão perceber que ela é uma atriz de muitos e muitos recursos. Estou orgulhoso", elogia Silvio.

Na pele de Jéssica, a atriz forma uma dupla impagável com Bruno Gagliasso, o patife italiano Berilo, que volta e meia aplica golpes na mulher para se encontrar com a outra, a italiana Agostina (Leandra Leal). "O Bruno tem um entusiasmo que contagia. E é criativo. Quando gravamos a cena em que o Berilo me dopava, ele inventou de beijar o meu pé para acordar a Jéssica. Aí eu disse: 'Você é muito cachorro! As pessoas vão ficar com raiva de você. Mas estava brincando", diverte-se ela, que, por conta do furacão que é a personagem, está até cogitando posar nua. "Penso seriíssimamente em fazer. Mas acho que seria óbvio no momento. Não é pudor. Eu me consultei com pessoas bem bacanas", pondera. Mas, em caso afirmativo - ela rejeitou ser a capa da edição especial do aniversário de 35 anos da Playboy ¿, que fantasia a atriz toparia encarnar? "Uma pin up! Seria genial se o Jairo (Goldflus, marido de Gabriela) fizesse as fotos. Mas acho que, para ele, não. Gostaria de fazer um clima voyeur. Só que o povo não gosta disso. O leitor quer é ver a coisa!", gargalha ela, que confessa ter posado para o marido fotógrafo. "Fiz um ensaio nua e grávida. Ficou lindo demais", admite.

Mãe de Manuela, de 3 anos, Gabriela Duarte mantém o corpinho com tudo em cima graças ao exercícios que faz diariamente, mas não dispensa um vinhozinho. "Gosto de caminhar na esteira. É higiene pessoal. Mas faço loucuras! Um risoto hoje, com um vinho... depois, uma sobremesa. Gosto de beber, mas hoje tenho meus limites. Amanhã é outro dia e você acorda péssima, querendo morrer, e tem uma criança de 3 anos batendo na porta às 7h da manhã: 'Mãe, vamos brincar?' E eu falo: 'Filha, deixa mamãe dormir mais um pouquinho?' Assim não tem ressaca que aguente", brinca a atriz, que acha Copa do Mundo um saco. "Ai! Já vão pensar: 'A chata falando...'", ri.

O Dia