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09 de abril de 2010 • 07h46 • atualizado às 09h28

Guilherme de Pádua causa polêmica em entrevista e irrita Glória Perez

Ratinho diz que não perdoaria Guilherme de Pádua se fosse Glória Perez
Foto: Divulgação
 

Condenado a 19 anos e nove meses de prisão pelo assassinato de Daniella Perez, ocorrido em 1992, Guilherme de Pádua afirmou nessa quinta-feira (8), em entrevista ao apresentador Ratinho, que gostaria de pedir perdão à novelista Glória Perez, mãe da vítima. "O que eu mais desejo é a felicidade das pessoas a quem causei dor. Mas eu acho que ela (Glória) não quer me ouvir", afirmou Guilherme no Programa do Ratinho.

Durante a entrevista, ao vivo, Guilherme não quis contar o que aconteceu na noite do assassinato. Na quarta-feira (7), Glória Perez escreveu no Twitter que ia processar Guilherme se ele fizesse "qualquer referência mentirosa" a Daniella. Irritado por Guilherme não falar sobre o crime, Ratinho terminou o programa dizendo que o entrevistado era um ator e que, se estivesse no lugar de Glória Perez, não o perdoaria.

Na conversa com Ratinho, Guilherme disse que a justiça foi feita. "Estraguei a minha vida. Deus tem feito coisas maravilhosas por uma pessoa que não merece. Fui condenado no natural, mas não no sobrenatural. Deus transformou minha vida", garantiu ele, que agora é evangélico.

Segundo o ex-ator, sua versão e a de sua ex-mulher, Paula Thomaz, também condenada pelo assassinato de Daniella, nunca foram divulgadas. "Ninguém sabe a minha versão da história. Já cuspiram em mim no shopping. As pessoas adoram chutar cachorro morto, principalmente se for alguém pacato como eu. Precisam de Deus", disse ele, sem contar a sua versão.

Após a entrevista, Glória Perez postou vídeo de Guilherme no Twitter e escreveu: "Esse é o psicopata". Em seu blog, ela criticou Ratinho por entrevistá-lo. "A iniciativa do programa foi um insulto a mim e a todas as mães de filhos assassinados. Se deu algum ibope, Sr. Ratinho, que o lucro lhe seja leve!", escreveu.

Processo como resposta
Após saber da entrevista que Guilherme de Pádua daria no Programa do Ratinho, quarta-feira, Glória Perez usou seu perfil no Twitter para protestar. "Advogados acionados! O assassino não está mais sob proteção da lei que garante ao acusado o direito de mentir e denegrir a vítima para se safar. Portanto, qualquer referência mentirosa à minha filha terá como resposta medidas judiciais cabíveis! O recado foi dado! Que o assassino fale de si: qualquer versão fantasiosa envolvendo minha filha, processo neles! Criminal e cível", escreveu.

Glória Perez e Ratinho: farpas pela internet
Glória Perez também usou o Twitter na quarta-feira para criticar Ratinho. "Lastimável a atitude do Ratinho de levar o psicopata ao seu programa. Um psicopata que embosca e mata colega de trabalho por causa de papel e ainda vai dar pêsames à família já não disse a que veio?", escreveu.

O apresentador não ficou calado e deu sua reposta também pelo Twitter: "Essa matéria é para saber, perante a opinião pública, se estes crimes hediondos já foram esquecidos ou ainda estão vivos na memória. Tenho 3 filhos e três netas. A história triste, o crime bárbaro, nada apaga a dor da perda de um filho".

Durante o programa, Ratinho se defendeu. "A Globo também mostrou entrevista de Glória Maria com Guilherme, logo depois do crime. Então, não vem me cobrar. Não sou funcionário deles, sou do SBT. Sou dono do programa. Só se o Silvio Santos ligar, não coloco no ar. Gente de fora não. Meu direito. Isso é censura. Eu não estou aqui para apoiar o Guilherme. Vou conversar com ele, faz 18 anos que ele não toca no assunto", disse.

Relembre o caso
A atriz Daniella Perez foi assassinada aos 22 anos, com 18 golpes de tesoura, no dia 28 de dezembro de 1992. Na época, ela vivia a personagem Yasmin em De Corpo e Alma, trama escrita por sua mãe, Glória Perez. A atriz, que era casada com o ator Raul Gazolla, foi assassinada na noite do dia 28 de dezembro de 1992, por volta das 21h30, logo após ter deixado os estúdios da Globo, depois de mais um dia de gravação. Seu corpo foi encontrado em um matagal da Barra da Tijuca.

Logo após a confissão dos assassinos - o ator Guilherme de Pádua e sua mulher na época, Paula Thomaz -, começaram a circular várias versões que tentavam explicar o ocorrido. Entre elas, a de que Guilherme estaria confundindo a ficção com a vida real e que estaria apaixonado por Daniella Perez. Foi cogitado, inclusive, que os dois estariam vivendo um romance fora das telas, história totalmente negada por todos os colegas de elenco.

Em janeiro de 1997, o juiz José Geraldo Antônio condenou Guilherme a 19 anos de prisão pela morte da atriz. No dia 16 de maio daquele ano, após 44 horas de julgamento, o mesmo juiz condenou também Paula a 18 anos e meio, pela sua participação no assassinato. A decisão foi comemorada pelo público presente com uma salva de palmas.

O Dia