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Marcello Novaes vibra com o Bené de 'Cama de Gato'

16 mar 2010
15h25
Arcângela Mota
Direto do Rio

Marcello Novaes fica visivelmente confortável quando o assunto é comédia. Ao falar sobre os personagens cômicos que já interpretou, o ator, que viu sua carreira decolar como o divertido mecânico Raí de Quatro por Quatro, se reclina sobre o sofá e perde a noção do tempo. E, após emendar três novelas na Globo de 2005 a 2008, todas com papéis mais densos, Marcello se orgulha ao contar que só aceitou o convite para viver o atrapalhado Bené, de Cama de Gato, por ser uma oportunidade de voltar a trabalhar com o gênero. "Já estava tudo certo para as minhas férias, mas não resisti quando soube do perfil do Bené. Estava muito saudoso de fazer comédia. Está no meu sangue", empolga-se.

Apesar de ter sua imagem associada a personagens cômicos, Marcello faz questão de frisar que construiu uma carreira diversificada em seus mais de 20 anos de tevê. E garante não ter medo de rótulos. "Acho que sou um ator de muita sorte na Globo. A maioria é rotulada e só faz um tipo de trabalho. Tive a oportunidade de diversificar e acredito que dei conta", analisa, do alto de suas 15 novelas e três minisséries no currículo.

Em mais de 20 anos na Globo, grande parte dos personagens que você interpretou tinha traços cômicos. O que o Bené traz de novo?
Aceitei o personagem justamente por ter a oportunidade de voltar a trabalhar com comédia, que não fazia há algum tempo. Meu último trabalho, o Sandro de Três Irmãs, tinha uma carga muito dramática. Foi a terceira novela seguida que emendei. Já havia pedido para parar, pelo menos, por uns seis meses para descansar e fazer uma operação no joelho. Até que o Ricardo Waddington, diretor de núcleo de Cama de Gato, disse que tinha um personagem para mim. Ele falou que não imaginava mais ninguém fazendo. Fiquei meio indeciso, mas quando ele definiu o perfil do personagem não resisti. Foi uma covardia (risos).
Era um personagem cômico, como eu queria fazer.
Aceitei só pelo fato de ser o Bené, que é um tipo popular, do jeito que eu gosto, assim como o Raí, de Quatro por Quatro, e o Beterraba de Uga Uga.

As comparações entre o Bené e o Raí, personagem que o projetou em Quatro por Quatro, em 1994, são quase inevitáveis. Como você trabalhou essa semelhança entre eles?
Eles, de fato, têm um perfil muito parecido.
Com tantos dados iguais, é muito difícil fazer uma interpretação diferente. Confesso que, no Bené, coloquei um pouco de todos os personagens cômicos que já fiz. Fiz uma revisão e peguei um pouco das características de cada um, fazendo uma salada enorme. O Bené é uma fórmula inédita, diferente do Raí, e crio coisas novas para ele o tempo inteiro. Sem contar que ele é mais ingênuo, enquanto o Raí era bem marrento. São outros trejeitos.

Você ainda costuma ouvir muito sobre o Raí nas ruas?
Até hoje me chamam de Raí. Ele e a Babalu, personagem da Letícia Spiller, formaram um casal que entrou para a história da tevê. Foi muito marcante. E foi meu primeiro protagonista. Mas isso não me incomoda. Ator que não tem paciência para lidar com o assédio do público não deve sair de casa. Ou deve mudar de profissão.

E o que as pessoas costumam dizer sobre o Bené?
A resposta do público não poderia ser melhor.
O Bené conquistou muito as crianças, acho que caiu na boca do povo. É um personagem que está fazendo um sucesso muito grande. Fizeram uma pesquisa sobre os casais de Cama de Gato que estão tendo mais repercussão, e eu e a Heloísa Perissé estamos entre os primeiros. Vou trabalhar feliz. É uma equipe boa que faz uma novela que deu certo. O gostoso de fazer comédia é levar para casa um serviço mais bem-humorado. O Bené é um papel que adoro interpretar. Com certeza vai deixar saudades.

Em algum momento você teve receio de ficar rotulado com personagens cômicos?
Não. Acho que, no começo de uma carreira, o ator se depara com trabalhos muito parecidos. É como um atleta. Para ser um bom jogador de futebol, a pessoa tem de treinar muito. Não sei se, no começo da minha carreira, os papéis cômicos foram repetitivos. Mas, ao longo dela, tive a oportunidade de fazer outros personagens e diversificar. E acredito que dei conta. Posso até não ter feito muito bem, não sei, mas as críticas negativas foram muito poucas. A chance de diversificar personagens é uma oportunidade que poucos tiveram na Globo. E acho que tive essa sorte. Fiz um vilão em Chiquinha Gonzaga, comédia em Quatro por Quatro e pude levantar causas sociais importantes como o Xande, em O Clone.

Você já chegou a recusar algum papel?
Nunca. Tive de recusar personagens no teatro e no cinema em função do meu trabalho na Globo.
Sou um funcionário da emissora e não me sinto à vontade de negar um trabalho. Eu ganho para isso.
Sou consciente de que tenho de estar à disposição da emissora. Acho que sou um bom funcionário.
Tenho 90% de produtividade, falo isso de boca cheia e com muita honra. Faço um trabalho atrás do outro e participo de vários outros programas da casa. Sou um profissional que leva o trabalho a sério com muito prazer.

Com toda essa experiência na comédia, existe algo que ainda seja difícil para você na hora de trabalhar com o gênero?
Em 27 anos de carreira de ator, toda vez fico ansioso e me sinto inseguro. É como se estivesse começando praticamente do zero. Tem uma coisa técnica, de posicionamento de câmera e aproveitamento de luz, que acho que erro pouco em função de todos esses anos de carreira. Depois isso fica quase natural. Levo um tempo para ter o personagem pronto dentro de mim. Exercito tanto que depois é só buscar e incorporar.

Você sente falta de alguma coisa na sua carreira?
Não porque trabalho muito. Em todos esse anos, fiz apenas um personagem que não aconteceu, mas eu sei bem o porquê. Não foi culpa minha nem da autora. Foram coisas que aconteceram em torno da novela. Depois a gente entende que alguns personagens simplesmente não acontecem. Não porque o ator ou o autor não têm talento, mas porque o sucesso depende de muita coisa. Mas dei sorte. Noventa e nove por cento dos meus trabalhos na tevê deram certo. Gosto muito do que faço e isso gera uma facilidade enorme. Quando você é apaixonado pelo que faz, já começa com uma chance de 50% de ganhar o jogo.

Cama de Gato - Globo - De segunda a sábado, às 18h.

Além dos estúdios
Em Cama de Gato, Marcello Novaes e Heloísa Perissé arrancam risadas com o conturbado relacionamento entre Bené e Thaís. A sintonia entre os atores é tanta que, agora, eles têm de planos de fazer um novo trabalho juntos. Só que, desta vez, fora da tevê. "A Lolô está escrevendo uma peça para mim e para o Marcos Palmeira. Estamos tocando o projeto juntos. Nós temos uma relação de troca muito bacana", elogia.
Marcello conta que em todo lugar que vai costuma ser abordado para falar sobre a colega de elenco. Mas, de uns tempos para cá, ela tem dividido a atenção do público com outro personagem da trama: a cadela Titânia, xodó de Bené em Cama de Gato. "Agora as pessoas têm me perguntado muito sobre a Titânia. Ela virou uma estrela do nosso núcleo da novela", brinca.

Ator coruja
Marcello Novaes tem fama de sempre defender seus personagens. E não esconde sua preferência em interpretar tipos populares e de bom caráter. "Costumo ouvir muitos autores e diretores falando que eu compro briga pelos meus personagens. E compro mesmo. Na maioria das vezes, eu os torno pessoas boas e honestas porque gosto de gente desse tipo", confessa.
O ator se orgulha em dizer que a maioria dos seus papéis gera identificação no público. E acredita que, em função disso, ele conquistou um respeito maior dos telespectadores. "Sinto que as pessoas me respeitam muito como profissional. Elas se identificam com meus personagens. É um grande barato conquistar isso", enaltece.

Trajetória Televisiva
# Vale Tudo (Globo, 1988) - André.
# Top Model (Globo, 1989) - Felipe.
# Rainha da Sucata (Globo, 1990) - Geraldo.
# Anos Rebeldes (Globo, 1992) - Olavo.
# Deus nos Acuda (Globo, 1992) - Geraldo.
# Quatro por Quatro (Globo, 1994) - Raí.
# Vira-Lata (Globo, 1996) - Fidel.
# Zazá (Globo, 1997) - Hugo Guerreiro.
# Malhação (Globo, 1998) - Paulinho Kelê.
# Chiquinha Gonzaga (Globo, 1999) - Jacinto Ribeiro do Amaral.
# Andando Nas Nuvens (Globo, 1999) - Raul Pedreira.
# Uga Uga (Globo, 2000) - Beterraba.
# O Clone (Globo, 2001) - Xande.
# A Casa das Sete Mulheres (Globo, 2003) - Inácio.
# Chocolate com Pimenta (Globo, 2003) - Timóteo.
# América (Globo, 2005) - Geninho.
# Malhação (Globo, 2006) - Daniel San Martin.
# Sete Pecados (Globo, 2007) - Vicente.
# Três Irmãs (Globo, 2008) - Sandro.
# Cama de Gato (Globo, 2009) - Bené.

Marcello Novaes interpreta o Bené de 'Cama de Gato'
Marcello Novaes interpreta o Bené de 'Cama de Gato'
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias / Divulgação
Fonte: TV Press

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