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TV

Nathália Dill cresce encarnando primeira protagonista

23 jun 2009
15h36
atualizado em 24/6/2009 às 11h54



Nathália Dill já se acostumou com mudanças repentinas em sua vida. A intérprete da angelical Maria Rita de

Nathália Dill ganha peso com protagonista
Nathália Dill ganha peso com protagonista
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/ Carta Z Notícias / TV Press

Paraíso

estreou na TV há pouco mais de um ano e meio, como a vilã Débora de

Malhação

. Na época, foi escalada às pressas para a temporada de 2008, que entrou no ar antecipadamente em outubro de 2007.

Emendou a novelinha juvenil com seu atual trabalho e, hoje, aprende a colher os frutos das responsabilidades que assumiu. "Tudo veio muito rápido, fui pega de surpresa. Mas tento encarar como em qualquer outra profissão. Mudei como mulher e profissional, saí de casa, ganhei a independência financeira", simplifica a jovem, enquanto olha assustada uma multidão de crianças gritando Santinha, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

A atriz chegou na TV por conta de um vídeo entregue a um produtor de elenco da Globo. Mas fazer novelas não chegava a ser uma prioridade em sua vida. Tanto que esse foi o único movimento feito por Nathália para chegar ao veículo. Ela cursava Direção Teatral na Universidade Federal do Rio de Janeiro e largou o curso dois meses antes de terminar, para poder se dedicar à televisão.

"Quero voltar, mas acho faculdade algo muito sério para fazer de qualquer jeito. Quando eu tiver mais tempo livre, me formo", explica, aparentando bem mais que seus 23 anos.

Paraíso é seu segundo trabalho na TV, primeiro como protagonista. Como você encarou essa mudança?
É claro que senti um frio na barriga, mas não posso dizer que bateu medo. Ninguém me jogou ali sem saber o que estava fazendo. Sinto que uma confiança foi depositada em mim e tive de me esforçar para merecer esse posto. Me esforço até hoje. Mas qualidade não se mede só por uma pessoa, depende de um conjunto. Quanto à posição de protagonista, a Maria Rita passava, inicialmente, a ideia de ser uma mocinha clássica, inocente, só que não existe qualquer pretensão de transformá-la em bocó. Por mais que seja uma menina do interior e religiosa, com todas as características de uma Julieta, não é uma personagem boba. A Aninha, interpretada pela Juliana Boller, tem essas características. Basta analisar o texto para enxergar o tipo bonitinha, humilde e apaixonada por um forasteiro. Coitadinha, ela nunca viu o mar, não é? Desde o início, eu tentei fazer a Santinha com um pouco de convicção e de reação. E o próprio texto do Benedito deixa ela assim. O mais bacana é ser uma personagem tão fora da minha realidade.

Isso atrapalha ou ajuda?
É difícil avaliar dificuldade ou facilidade para um trabalho. Até porque nem sempre fazer um personagem mais próximo da sua realidade facilita. Passar verdade na TV é que é algo complicado. E nesse ponto ¿Paraíso¿ me preocupou mais. Malhação tinha um conjunto mais tranqüilo.

O que era diferente em Malhação?
Ainda me vejo como uma novata e sei que estou aprendendo. Mas de um outro jeito. Malhação tem um clima acolhedor, é uma produção que recebe pessoas que não sabem fazer TV. E isso é muito bom, porque abre espaço para experimentar mesmo. Lá você se dá mais liberdade, até porque é o seu momento para se descobrir na televisão. A gente pode colocar alguns cacos, brincar mais. É até engraçado, porque isso acaba dando um tom mais autoral aos personagens. Mas quando você vai para outro horário, não funciona assim. Eu não diferencio novela das 18, 19 ou 21 horas. Para mim, todas têm o mesmo peso. É uma exposição diferente. E na faixa das 18 horas, atualmente, a cobrança é enorme.

Mas quando você entrou em Malhação, a temporada foi antecipada em dois meses porque o resultado era insatisfatório. Essa cobrança chegava até o elenco?
Indiretamente, sim. Mas não pela emissora, ninguém amedrontava a gente. O problema é que, antes de entrarmos, corria um boato que, se a nossa temporada não desse certo, o projeto se encerraria. Aí a gente pensava: "nossa, ferrou!" Era como se dependesse de nós a continuação de um programa que estava na grade da Globo há 13 anos. A pressão externa é que é pior. Até porque com o tempo percebemos que existe ali uma proteção aos iniciantes. E o que estavam questionando, na verdade, era o molde, a estrutura, enfim, todo o contexto de Malhação. Na novela das seis não, a questão é o horário e não a estrutura.

Essas discussões sobre a faixa das 18 horas afetaram você quando foi escalada para Paraíso?
Não adianta mentir e dizer que a gente não se preocupa com isso. Claro que todo mundo quer fazer sucesso e não é a situação mais confortável entrar em um horário que enfrenta problemas. Mas não me senti cobrada pela emissora em momento algum. Ainda mais porque fiz um teste e gostaram do meu trabalho. Decidiram apostar em mim. O problema é que você começa a ler na imprensa que o horário é crítico e vê como falam dos números de Ibope. Depois é publicado que você vai fazer a novela daquele horário e as pessoas passam a conversar com você sobre isso. E, claro, sempre lembram que é um problema atual da grade. Tudo isso começa a mexer com a gente. Mas, dentro do estúdio, a equipe da novela quer fazer um produto de qualidade. E fazemos. A novela é linda, é bem feita. Audiência não é sinônimo de qualidade.

Como você recebeu as críticas iniciais à novela?
Eu estava bem insegura e tive uma certa dificuldade para entender as críticas. Até que foram bem equilibradas e concordo que eu ainda não estava 100%. Se estivesse convicta do que estava fazendo, nem ligaria para o que estava escrito. Mas eu sabia que não estava legal. A gente quer sempre acertar, ninguém gosta de errar. Mas essa percepção não acontece da noite para o dia.

Como você percebeu isso? O que fez para melhorar?
Quando a novela estreou, tínhamos uns 20 capítulos prontos. Foi diferente de Malhação, que a gente começou a gravar dias antes de ir ao ar. Em Paraíso, só pude me ver na pele da Santinha depois que tinha gravado centenas de cenas. Depois de assistir ao início da novela, tive a capacidade de fazer melhor. Aí, sim, me senti mais segura.

Você chegou a pesquisar a primeira versão da novela, exibida em 1982?
Encontrei com a Cristina Mullins, que fez a Santinha na época, em uma matéria que fizemos para uma revista. Mas esse foi nosso único contato. Ela me contou algumas histórias, trocamos ideias, foi bem bacana. Mas não gosto muito de ficar olhando a atuação dos outros em personagens que vou fazer porque corre o risco do trabalho não ficar autoral. Só que, nesse caso, acabei procurando ver as cenas sim. Depois de todo mundo me perguntar se eu já tinha visto a cena dela no último capítulo, acabei entrando no Youtube e vi.

Paraíso é seu segundo trabalho na TV e, até agora, você só pegou papéis principais. O que você espera do seu futuro na televisão?
Acho que tudo depende muito da sua postura, do caminho que você segue depois que entra na TV. Estar em Malhação não foi suficiente para entrar em Paraíso. Tive de fazer teste e tinham umas três ou quatro atrizes, contratadas da Globo, tentando. Se você faz bem seu trabalho, se quer crescer, você consegue. Rápido ou devagar. Não quero parar de trabalhar, mas sei que nem sempre terei papéis tão instigantes.

Você está preparada para lidar com isso?
Até agora, todos os meus trabalhos como atriz foram substituídos por outros melhores. Mas tenho noção de que nem sempre vai ser assim. Meu problema não é pegar papel principal. Quero papéis incríveis. A Aninha, de Paraíso, não está no núcleo principal, mas é um personagem maravilhoso, por exemplo. As tramas não vivem só de protagonistas. Às vezes, os mocinhos são os mais chatos. Tudo pode acontecer. Uma novela tem muitos núcleos. Quero oportunidades. O resto, eu me esforço para ir conquistando aos poucos.

Gente grande
Para Nathália, Malhação não significou apenas uma porta de entrada na TV, mas também uma passagem para a vida adulta, já que foi seu "primeiro emprego". Até então, a jovem tinha atuado apenas em peças de teatro universitárias e nos espetáculos A Glória de Nelson e Jogos na Hora da Sesta, além de uma pequena participação no filme Tropa de Elite e na série Mandrake, do canal pago HBO. "Eu já tinha trabalhado, mas não estava acostumada a ter um salário todo mês. É diferente quando você ganha o seu dinheiro. Cresci muito como pessoa nessa época", esclarece.

Nathália não fala em valores, mas não esconde que assumir o posto de protagonista engordou sua conta bancária. Tanto que depois disso ela decidiu sair de casa e alugar um apartamento, no bairro Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. "Consegui minha independência financeira. Hoje tomo minhas decisões sozinhas", valoriza a atriz, que é filha de dois cientistas.

Muita teoria
A paixão pelo teatro surgiu em Nathália ainda criança, quando estava com 7 anos. A atriz começou a fazer aulas no colégio Espaço Educação, no Leblon, bairro da Zona Sul carioca onde cresceu. Na adolescência, aos 15 anos, decidiu investir mais no sonho de trabalhar como atriz e ingressou em um curso na Casa de Cultura Laura Alvim. "Desde bem novinha eu sabia o que queria. Tanto que, na época do vestibular, optei por um curso direcionado para os palcos", lembra. A escolha por Direção Teatral surgiu por conta da possibilidade de aprender coisas diferentes sobre a profissão de atriz. "Imaginei que mudaria meu olhar de atriz. Fora que dirigir deve ser muito bacana", imagina Nathália.

Trajetória televisiva
Malhação (Globo, 2007/2008) - Débora.
Paraíso (Globo, 2009) - Maria Rita, a Santinha.

Fonte: TV Press

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