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 Hebe se mantém como uma das mais carismáticas apresentadoras
22 de fevereiro de 2009 08h23 atualizado às 16h24

Hebe Camargo tem mais de 60 anos de vida artística. Foto: Divulgação

Hebe Camargo tem mais de 60 anos de vida artística
Foto: Divulgação




Quem ainda acredita que imagem é tudo, precisa ver o novo Programa Hebe, do SBT, há três semanas no ar. Novo? Muito pouco, com exceção da brincadeira do Jornal da Hebe e do sofá itinerante, que passeia por escolas de samba, praças e rincões Brasil afora.

O que não faz a menor diferença. Porque não é o novo que interessa em um programa de uma mulher à beira dos 80 anos, com mais de 60 anos de vida artística.

Há em Hebe um outro valor além da novidade e que também está além da experiência, algo não falta a esta cantora, atriz e apresentadora que viu a TV brasileira nascer. É personalidade, essa competência de usar candelabros como brincos com a maior naturalidade.

Décadas antes das madeixas louras se tornarem óbvias, essa paulista de Taubaté já descolorira seus cabelos negros que faziam sucesso em filmes de Mazzaropi e na primeira atração musical da TV brasileira, em 1950, ao lado de Ivon Cury.

As sobrancelhas grossas e escuras parecem diferentes, mas estão na antiga gravação os olhos afiados e maliciosos que Hebe exibe até hoje como suas jóias mais exuberantes. Nem as minissaias desta octagenária mostram tanto: debaixo da "Gracinha", há uma inteligência perigosa.

Os quadros - por vezes, pouco atraentes - não importam tanto, a despeito dos mais de mil programas da Hebe terem tido momentos antológicos, em especial, os musicais. No último programa, Daniel, Latino, o Art Popular, D´Black, Negra Li, as Chicletinhas e o cachorro Billy se reuniram em números entremeados de bate-papos e comentários variados da apresentadora. Em dois rápidos momentos, ela mostrou porque está há mais de meio século no ar.

Primeiro, ensinou às fornidas Chicletinhas como dar "selinhos" e bitocas nos fãs, com uma desinibição que deixou as garotas "sexies" com jeitinho de noviças virginais. E depois explicou ao também experiente apresentador Amaury Jr. a maneira certa de segurar uma mulher: com uma única mão na nuca, firme e sem despentear o cabelo. Certas coisas não se ensinam nem se aprendem. A "loura das segundas, não de segunda", como ela própria se define, tem atitude. E isso não se pode imitar.

TV Press