Diversão » Diversão

 'Aprendiz Universitário' vende sucesso com pouca audiência
27 de maio de 2009 07h09 atualizado às 07h10

Roberto Justus apresenta reality show 'O Aprendiz'. Foto: Divulgação

Roberto Justus apresenta reality show 'O Aprendiz'
Foto: Divulgação




Todo "reality show" se baseia, antes de tudo, numa idéia de superação. Por exemplo, com a ajuda de uma inteligente educadora argentina, crianças-problema e pais-muito-piores passam a se relacionar melhor em Supernanny. Ou um sujeito fazendo cara de paisagem se torna mais popular que uma loura chorona e uma morena com pernas de quarto-zagueiro no BBB. E, em Aprendiz 6, universitários superam a inexperiência, a insegurança e Roberto Justus cantando para se tornarem os vencedores desse programa.

Os jovens, em geral, e estudantes, em particular, sempre estiveram de olho no programa. Por deficiências no ensino, que vão desde uma grade curricular desatrelada da atividade prática que será desenvolvida na carreira até professores mal treinados ou desatualizados, há muita coisa - e em muitas profissões - que não se aprende na faculdade. Desde como se comportar numa reunião com um chefe de olhos esbugalhados até o que fazer quando um colega não rendeu ou prejudicou o seu setor.

O Aprendiz versão nacional mantém a mesma atmosfera inquisitória do original norte-americano, estrelado pelo empresário Donald Trump. E com direito a música de suspense e o rosto aterrorizado dos participantes, quase sempre incapazes de argumentarem sobre suas escolhas e decisões. Se é que as fizeram.

Há uma certa lógica do sucesso como valor máximo da existência corporativa que faz do "loser" - ou perdedor - um pária social. Daí tanto impacto dado à demissão do participante do programa, como um clímax sádico de uma máquina especializada em moer vocações.

Nesse último programa, porém, ficou claro que essa maneira de lidar com funcionários ou parceiros nem sempre se sustenta. Justus teve de abrir flancos e admitir sua insatisfação ao demitir uma candidata que, longe das câmeras, certamente seria aproveitada.

Um bom exemplo de que toda a objetividade nas escolhas esconde a subjetividade das circunstâncias é o próprio O Aprendiz. Em cinco anos, o "reality show" tem conquistado razoáveis ibopes e, no último deles, chegou a marcar 17 pontos de média. Nessa edição, se mantém em meros 9. A seguir o raciocínio do programa, o braço sinistro do sucesso cuidaria de sua degola.

Redação Terra