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 Guilherme Berenguer ganha notoriedade com seu papel em 'Paraíso'
30 de maio de 2009 08h33 atualizado às 08h34

Guilherme Berenguer fala sobre personagem. Foto: Luiza Dantas/ Carta Z Notícias/TV Press

Guilherme Berenguer fala sobre personagem
Foto: Luiza Dantas/ Carta Z Notícias/TV Press




A fala mansa e a firmeza das palavras dão a impressão de que Guilherme Berenguer já é um veterano na TV. Tanto que o ator de 28 anos, que interpreta o forasteiro Ricardo, em Paraíso, na Globo, acredita que sua carreira vem sendo bem-sucedida justamente por seu comportamento responsável e sereno.

Desde que estreou na TV, em 2004, com o protagonista Gustavo, em Malhação, Guilherme já planejava a trajetória que gostaria de ter como ator. "Quando entrei, sabia que vinha para ficar. Disse que dali ninguém me tirava. Me determinei a isso", relembra.

Tanta determinação o fez chegar até Paraíso. Na pele de um dos idealistas da fictícia rádio da cidadezinha do interior, Guilherme conseguiu enxergar características pessoais em comum com seu atual personagem, o que o fez ganhar mais segurança e intimidade na hora de entrar em cena.

"O Ricardo não quer perder a oportunidade de poder dar certo na vida e eu sou muito parecido com ele", avalia. Mas, além da persistência, Ricardo e Guilherme têm mais afinidades.

Na trama de Benedito Ruy Barbosa, o publicitário, apesar de ser o típico malandro da cidade grande, se apaixona por Aninha, de Juliana Boller. O ator confirma que a veia romântica é bastante aflorada em sua personalidade. "Esse personagem me traz toda a essência lúdica com a Aninha, da paquera marota, da emoção do olhar. Eu adoro, sou um cara absolutamente romântico", declara, com timidez.

Todo o clima das histórias de amor, típicas da faixa das seis, aliás, Guilherme já diz saber de cor. Esta é a terceira trama consecutiva que o ator interpreta no horário.

Começou em 2006, com Sinhá Moça, e passou por Desejo Proibido, em 2008. O intérprete de Ricardo afirma que gosta do que é discutido no horário, além de ter grande identificação com os autores e suas histórias. Mas não se incomoda em ficar marcado por só participar das tramas que começam depois de Malhação.

"Acredito que essa escolha é associada à escalação do elenco. A equipe tem de ser certeira na hora de convocar um ator. Adoro estar nas seis", desconversa. Além de sempre atuar neste horário, é a segunda vez que o ator participa de uma trama de Benedito Ruy Barbosa. "Sempre questiono o porquê de estar em um projeto e por que um autor me quer. Com o Benedito, já me sinto confiante. É uma honra mesmo estar aqui", derrete-se.

Mesmo assim, Guilherme não descarta a possibilidade de atuar em uma trama da faixa das oito. E a possível escalação em uma novela é vista como sonho para o ator, que nunca esteve no horário nobre. "Sei que quero e vou fazer um dia. Temos tradição grande nisso, um espaço precioso para temáticas firmes. Sinto que minha hora está próxima", torce, em tom de suspense.

Além de estar no ar com seus personagens, o ator dividia seu tempo à frente do Globo Ecologia, que apresentava desde 2006. No programa, Guilherme garante que percebeu o quanto poderia aprender com a preservação do meio ambiente e com a proposta de "ator-comunicador".

Por conta da rotina na novela, o ator precisou abandonar o projeto. "A produção me trouxe uma maturidade incrível. Foi ali que comecei a ter outros valores. Mas estou frenético com o ritmo da novela. Não tinha como continuar. Quero dar novos passos", explica.

Os "novos passos" em sua carreira chegam com a inspiração em atores que Guilherme admira.

Tony Ramos é um deles. O ator chega a citar frases do intérprete de Opash, de Caminho das Índias, como verdadeiros mantras. E aposta que é se espelhando em seus ídolos e mantendo uma personalidade semelhante que alcançará credibilidade e respeito na profissão. "Como o Tony diz, cuide de vós e não acredite no sucesso. Meu objetivo é conseguir respeito. Acreditar em mim e manter meu foco, minha simplicidade. Sei que posso muito assim", acredita.

Fundo de quintal
Desde criança, Guilherme Berenguer se utilizou de seu imaginário para criar personagens. Ainda quando morava no Recife, o ator usava o quintal de casa para inventar histórias e criar situações. Foi brincando que percebeu que a veia artística poderia ser sua vocação.

"Al Pacino diz que devemos ser atores de quintal. Me descobri assim, brincando, imitando", afirma. Foi na capital pernambucana que ele começou a dar os primeiros passos na vida artística. Entrou para um grupo de teatro de rua e encenava peças na hora do rush. "Queríamos que as pessoas prestassem atenção. Nosso objetivo era chocar o povo", conta.

Aos 18 anos, Guilherme decidiu largar sua cidade e tentar novos horizontes em São Paulo.

Passou pelo grupo de teatro da Universidade de São Paulo e fazia testes para comerciais de TV e participava de peças teatrais. O ator foi o primeiro de sua família a sair do estado. "Me chamaram de louco. Lá não estava conseguindo desenvolver. Quis ir atrás dos meus ideais. Quando deu certo, veio minha mãe, minha irmã", comenta.

O ator esperou por cinco anos até emplacar o primeiro papel na TV em 2004, com Malhação.

Antes disso, fez testes para Coração de Estudante e O Beijo do Vampiro. A espera foi recompensada pelo protagonista Gustavo, da novelinha "teen". "O diretor Ricardo Waddington me testou por quatro anos. Mas não me deslumbrei com o personagem quando consegui. Vi o protagonista com a real função dele", completa.

Instantâneas
# Guilherme Berenguer faz em seu blog uma vitrine de seu trabalho. Posta fotos e videos com o elenco durante as gravações onde mostra como é sua rotina.
# Fã de Will Smith, o ator tem vontade de interpretar no cinema algo parecido com a história do filme À Procura da Felicidade. "Sei que é um sonho alto, mas seria uma realização incrível para mim", declara.
# Depois que Paraíso chegar ao fim, Guilherme pretende viajar para os Estados Unidos, onde quer estudar atuação e direção.

TV Press