Gay Talese solta o verbo em 'Roda Viva'
16 de julho de 2009
Foto: TV Cultura/Reprodução
Um dos principais motes do programa é a analise do jornalismo durante o governo Bush, que, segundo o Talese, "Não foi um bom casamento", relata. Talese acredita que, depois do ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, o jornalismo se enfraqueceu e a tendência de se abraçar a causa anti-terrorista de George W. Bush ficou visível. "Quando vimos o avião cruzando o World Trade Center não podíamos dizer que aquilo não era verdade", diz.
Com 11 livros publicados, Talese, de 77 anos, que prepara seu próximo livro - os 50 anos de seu casamento com a editora Nan Talese - estará acompanhado do apresentador Paulo Markun, e uma bancada formada por Carlos Eduardo Lins da Silva (Folha de S. Paulo); Regina Echeverria (jornalista); Humberto Werneck (jornalista e escritor); e Caio Túlio Costa (jornalista e professor de Jornalismo na Cásper Líbero e consultor de Novas Mídias).
Literária Internacional de Paraty
Uma das principais atrações da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o escritor Gay Talese foi ao encontro dos jovens vestindo um de seus famosos ternos, chapéu panamá, gravata amarela e sapatos lustrosos.
Durante o encontro, moderado por Ilan Kow, editor executivo do jornal O Estado de S. Paulo, Talese deu uma aula sobre jornalismo.
Em seu discurso, Talese ainda se mostra um profissional romântico, que sente prazer no que faz - e gosta de fazê-lo à moda antiga. "Sou antiquado. Não uso e-mail e não tenho celular" disse ele, mostrando que não é adepto das ferramentas do século XXI. Para ele, um bom repórter tem que ser criativo, curioso, sair às ruas, entrevistar pessoas, apurar. "Jornalista tem que fugir do laptop", afirmou.
Mas nem por isso vê nas novas tecnologias o grande inimigo da boa prática. Quando perguntado sobre o futuro, ele diz: "A internet não matará o jornalismo. O que pode matar são os erros cometidos pela imprensa, na busca pela velocidade da informação. A concorrência é dura, mas sempre haverá espaço para o jornalismo de qualidade".
Segundo ele, para isso, não há receita ou método - nem diploma que ateste a aptidão para o exercício da profissão. "O bom jornalista deve ser curioso, e curiosidade não se aprende na faculdade", afirmou. A boa educação que teve em casa, contou, foi o principal fator que o ajudou a se tornar um jornalista.






