Diversão » Diversão

 'Paraíso' chega ao final com boa audiência e trama bem resolvida
02 de outubro de 2009 07h34

Paraíso chega ao final com bons números. Foto: TV Globo/Divulgação

Paraíso chega ao final com bons números
Foto: TV Globo/Divulgação

Mariana Trigo

Por mais recorrente que seja nas tramas, o clima caipira quase sempre funciona no horário das seis. O "remake" Paraíso, que entrou no horário para tentar erguer a audiência desta faixa da programação, não só cumpriu esse feito com satisfatórios 28 pontos de média. Mas também trouxe um respiro necessário de ingenuidade em novelas.

O clima interiorano quase sempre costuma fugir do humor rasgado do horário das sete e dos dramas mais elaborados das tramas do horário nobre. É o espaço para o lúdico, para explorar temas pueris e roceiros, que também fazem parte da cultura popular. Bastou assistir a alguns capítulos da trama de Benedito Ruy Barbosa, adaptada por suas filhas, as autoras Edmara e Edilene Barbosa, para se deixar levar pelo astral de festa do interior.

Em meio a locações em sítios e grandes fazendas, imagens de pastos, gado e currais foram registrados ao som de berrantes e rodas de viola tão animadas que quase viraram uma experiência sensorial. Por pouco o cheiro de mato molhado e estrume de vaca eram capazes de invadir as mais tecnológicas TVs digitais. Nesse clima de chapéu de boiadeiro e espora no calcanhar, a trama se desenrolou num ritmo correto, sem os tropeços eletrizantes das edições de novelas contemporâneas. A cada capítulo, os "causos" de assombrações, os mistérios do diabinho da garrafa e o passeio por personagens do folclore brasileiro pareciam ser apurados numa grande panela de barro. Paralelamente, o texto foi burilado por interpretações de destaque.

Na pele da doce Santinha da cidade de Paraíso, Nathália Dill subiu seu patamar como atriz da Globo com Maria Rita. Numa interpretação convincente, a atriz se sobressaiu na pele da protagonista que se apaixona pelo temido Zeca, o filho do Diabo, interpretado por Eriberto Leão. No mesmo núcleo, destaque também para a beata Mariana, de Cássia Kiss, e para o coerente pai da Santinha, o Antero, vivido por Mauro Mendonça.

No entanto, o que mais se sobressaiu na história foram as pertinentes alusões e críticas às politicagens do país. Leopoldo Pacheco, como o prefeito Norberto, fez uma interessante dobradinha com o Padre Bento, de Carlos Vereza.

Ambos debatiam com clareza e de uma forma explicativa a questão agrária, os golpes no Congresso, os alertas sobre o desmatamento e até mesmo a importância do progresso que chegava à pequena cidade fictícia da história.

Para embalar os romances proibidos e o clima quase pudico que só se vê mesmo nas tramas agitadas por quermesses, não faltaram nem os lamentos dos violões dos peões à luz da lua, com participações de cantores sertanejos que temperaram a história. À beira das fogueiras, participações de músicos como Daniel, Chitãozinho e Xororó e Sérgio Reis trouxeram ainda mais veracidade ao universo boiadeiro de Benedito Ruy Barbosa.

TV Press