Na trama de 'Escrito nas Estrelas', Beatriz (Débora Falabella) e Sofia (Zezé Polessa) garantem a audiência
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- Márcio Maio
Escrito nas Estrelas é mais uma novela que aposta no carisma dos vilões. E a história de Elizabeth Jhin, diga-se de passagem, está muito bem servida de personagens com traços maquiavélicos e cruéis. Tanto que, apesar de todo o potencial e o trabalho de composição bem realizado pela protagonista Nathalia Dill, intérprete da sofrida Viviane, o que chama a atenção no folhetim das 18 horas é a atuação dos personagens de caráter duvidoso ou comprovadamente ruim. Mesmo com toda a temática espírita e a presença do mocinho do além Daniel, de Jayme Matarazzo. A começar pela dupla hilária formada por Sophia, de Zezé Polessa, e sua cria Beatriz, de Débora Falabella. A primeira demonstra que sempre é possível inovar, a despeito de ser escalada para papéis com perfis quase sempre parecidos. E a segunda experimenta sua primeira personagem desvirtuada. Chega a ser inusitado ver Débora esbanjando charme e humor ao encenar maldades embalada pela música Erva Venenosa. Era a mesma composição que ambientava a rebelde Cuca - também interpretada pela atriz - de Um Anjo Caiu do Céu, de 2001, subordinada à mãe e malvada Laila, vivida por Christiane Torloni.
Mas os louros dos vilões de Escrito nas Estrelas não são colhidos apenas pelas duas. Alexandre Nero explora bem o extenso texto que recebe na pele do malandro Gilmar. Em seu terceiro trabalho em novelas, o ator certamente já articulou mais palavras do que a soma de todas que balbuciou como o verdureiro bonzinho Vanderlei, de A Favorita, e o peão Terêncio em Paraíso. Menos carismática, mas também bem defendida é a dissimulada Judith. Carolina Kasting se destaca na pele da mãe disposta a usar os dois filhos para tentar reconquistar o marido Guilherme, atuação morna de Marcelo Faria. O ator, aliás, some quando contracena tanto com Carolina Kasting como com Carol Castro, que vive a sensata Mariana.
Com vilões tão fortes e bem construídos, era de se esperar que alguns nomes de peso do elenco ficassem esvaziados na história. Antônio Calloni, que vive o espírita boa praça Vicente, é um deles. O ator não está sendo tão bem aproveitado quanto poderia. O que deve mudar nos próximos capítulos, já que foi revelado que Daniel é, na verdade, seu filho. Isso sem contar com a aproximação do médico com a psicóloga Virgínia, de Bel Kutner. Os fantasmas Francisca e Athael, de Cássia Kiss Magro e Carlos Vereza, também andam apagados. Até o mocinho Daniel tem estado ausente em alguns capítulos, abrindo espaço para o aguardado romance entre Viviane e o durão Ricardo, de Humberto Martins. Mas uma das características de Elizabeth Jhin é movimentar constantemente a história com elementos novos, o que pode significar que uns descansam a imagem agora para agitar a reta final da novela - o último capítulo está previsto para 24 de setembro.
Escrito nas Estrelas - Globo - Segunda a sábado, às 18h.
- TV Press






