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 Emiliano Queiroz relembra seus 50 anos de carreira na TV
04 de setembro de 2010 08h38

Emiliano Queiroz tem 74 anos de idade e coleciona papéis em importantes tramas da TV. Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias/TV Press

Emiliano Queiroz tem 74 anos de idade e coleciona papéis em importantes tramas da TV
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias/TV Press

Arcângela Mota

Emiliano Queiroz revela uma memória afiada quando se trata de sua trajetória televisiva. Aos 74 anos de idade, 50 deles dedicados à TV, o ator cearense não esquece um nome nem confunde datas ao contar histórias das últimas cinco décadas, nas quais foi personagem e testemunha do crescimento da televisão no Brasil. E é com a mesma exatidão que ele relembra os bastidores de seus trabalhos desde a época em que ajudou a inaugurar a TV Ceará, em 1960, até as passagens pela TV Tupi, TV Cultura e TV Paulista antes de ser contratado pela Globo, em 1965, quando a emissora foi criada. Atualmente no ar como o italiano Nonno Benedetto de Passione, Emiliano se diverte ao lembrar a fascinação que sentiu ao perceber, pela primeira vez, o impacto do veículo. "Quando comecei minha carreira de ator, TV era uma coisa meio bizarra. Algo como o rádio com uma telinha. Só fui entender a dimensão depois que vi um outdoor na rua com uma foto minha enorme", recordou, aos risos, referindo-se à propaganda da novela Eu Amo Esse Homem, que protagonizou na TV Paulista em 1964.

E foi graças ao sucesso da novela que Emiliano foi para a Globo no ano seguinte, quando a TV Paulista foi comprada pela recém-fundada emissora de Roberto Marinho. O folhetim Eu Amo Esse Homem, que ainda não havia chegado ao fim, passou a ser realizado na Globo, até que foi proibido pela censura durante a ditadura militar. "Meu personagem era apaixonado pela mãe e os militares acharam isso muito pesado. Cancelaram a novela no meio", contou o ator, que a partir daí emendou várias produções seguidas na emissora. "Atuava sem parar nos 10 primeiros anos. Despontei como revelação e também fiquei muito conhecido na classe teatral depois que fiz a peça A Navalha na Carne", justificou ele, que viveu personagens emblemáticos ao longo dos 45 anos na Globo, como o Juca Cipó de Irmãos Coragem e o Dirceu Borboleta de O Bem-Amado.

Mas a segurança para encarar os trabalhos no Rio de Janeiro veio com a experiência de três anos na TV Ceará, que Emiliano ajudou a inaugurar e onde foi ator, escritor, diretor e apresentador. "Era tudo ao vivo, trabalhei feito um louco, mas foi um Eldorado. Esses três anos me trouxeram uma rapidez de raciocínio e cheguei muito bem preparado ao Sudeste", analisou. Durante uma viagem de férias para São Paulo, em 1963, ele conheceu o aparelho que o fez se mudar definitivamente para a região: o videoteipe. Tudo porque, ao descobrir que os programas poderiam a ser gravados, ele chegou à conclusão de que as televisões locais iriam acabar. "Saquei na hora que o videoteipe iria baratear os custos de produção e que o nosso espaço estava acabando. Foi aí que resolvi me mudar para o Sudeste", lembrou.

Apesar de já ter experiência como ator e escritor na TV Ceará, Emiliano viveu um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira quando foi convidado pela autora cubana Glória Magadan a escrever a novela Anastácia, A Mulher Sem Destino, em 1967, sob a supervisão dela. O folhetim, que apresentou graves problemas de audiência, é famoso pela maneira inusitada com que os rumos da história foram mudados: a maioria dos personagens foi morta em um imprevisto terremoto, para que a trama fosse reformulada. "A Glória me jogou aos leões. Me convenceu a escrever a novela e, quando começou a dar errado, abandonou o barco. Nunca quis escrever aquilo", desabafou o ator, que sugeriu à direção da Globo que a escritora Janete Clair o ajudasse a terminar a história. "Resolvemos matar quase todo mundo em um terremoto e recomeçar. Fiquei amigo para o resto da vida da Janete, mas nunca mais falei com a Glória. Foi o início do declínio dela na Globo", recordou o ator, que nunca mais escreveu para a TV desde então. Mas continuou a escrever para o teatro.

Cinco anos mais tarde, Emiliano teve a chance de viver seu personagem mais marcante, o tímido Dirceu Borboleta em O Bem-Amado, de Dias Gomes, primeira novela em cores da TV brasileira. "Descobri que poderia ficar vermelho na televisão e comecei a tirar partido disso. O Paulo Gracindo aproveitava para soltar um caco: 'Você está vermelho como um peru'", relembrou. Apesar do sucesso de Dirceu, Emiliano destaca que, quando a novela chegou o fim, recebeu com surpresa a notícia de que seu contrato não seria renovado com a Globo, pela primeira vez. "Quando me chamaram, pensei que iria receber um aumento e ganhei uma demissão. Depois a novela foi reprisada e eu estava popularíssimo na rua, mas com o bolso apertado", divertiu-se o ator, que ainda teve a chance de reviver o famoso Dirceu Borboleta no seriado O Bem-Amado e na Escolinha do Professor Raimundo. "Foi o personagem que mais me abriu espaço. Poucos atores fazem papéis que, 40 anos depois, ainda são lembrados", orgulhou-se.

Trajetória Televisiva
# Poeira Vermelha (TV Ceará, 1960).
# Eu Amo Esse Homem (TV Paulista, 1964).
# Ilusões Perdidas (Globo, 1965).
# A Moreninha (Globo, 1965)
# Paixão de Outono (Globo, 1965).
# Um Rosto de Mulher (Globo, 1965).
# Eu Compro Essa Mulher (Globo, 1966).
# O Sheik de Agadir (Globo, 1966) - Hans Stauber.
# A Sombra de Rebeca (Globo, 1967) - Tomaz.
# Anastácia, A Mulher sem Destino (Globo, 1967) - Pep Le Coq (também autor).
# O Homem Proibido (Globo, 1967) - Chandra.
# A Última Valsa (Globo, 1969) - Conde Hoyot.
# A Ponte dos Suspiros (Globo, 1969) - Bembo.
# Véu de Noiva (Globo, 1969) - Tomaz.
# Verão Vermelho (Globo, 1969) - Irineu.
# Irmãos Coragem (Globo, 1970) - Juca Cipó.
# O Homem que Deve Morrer (Globo, 1971) - Dr. Victor Paulus.
# Selva de Pedra (Globo, 1972) - Marcelo.
# O Bem-Amado (Globo, 1973) - Dirceu Borboleta.
# Pecado Capital (Globo, 1975) - Jacques Leclair.
# Estúpido Cupido (Globo, 1976) - Padre Almerindo.
# Maria, Maria (Globo, 1978) - João Felipe de Souza.
# Gina (Globo, 1978) - Fernando.
# Pai Herói (Globo, 1979) - Horácio.
# O Bem-Amado (Globo, 1980 - 1984) - Dirceu Borboleta (seriado).
# Ti-ti-ti (Globo, 1985) - Seu Futuro.
# Tenda dos Milagres (Globo, 1985) - Professor Fontes.
# Cambalacho (Globo, 1986) - Tio Biju.
# O Outro (Globo, 1987) - Delegado.
# O Pagador de Promessas (Globo, 1988) - Zarolho.
# Bebê a Bordo (Globo, 1988) - Motorista.
# Abolição (Globo, 1988) - Bernardo Lucena.
# Que Rei sou Eu? (Globo, 1989) - La Roche.
# O Sexo dos Anjos (Globo, 1989) - Padre Julião.
# Top Model (Globo, 1989) - Manfredo.
# Rainha da Sucata (Globo, 1990) - Diretor do colégio.
# Barriga de Aluguel (Globo, 1990) - Dr. Barroso.
# Anos Rebeldes (Globo, 1992) - Dr. Alcir.
# Deus nos Acuda (Globo, 1992) - Quaresma.
# Olho no Olho (Globo, 1993) - Antenor.
# Escolinha do Professor Raimundo (Globo, 1994) - Dirceu Borboleta.
# Irmãos Coragem (Globo, 1995) - Maciel.
# Quem é Você (Globo, 1996) - Honório.
# Caça Talentos (Globo, 1996 a 1998) - Honorável Kelvin.
# Hilda Furacão (Globo, 1998) - Profeta.
# Era Uma Vez (Globo, 1998) - Catulo.
# A Muralha (Globo, 2000) - Dom Falcão.
# As Filhas da Mãe (Globo, 2001) - João Alberto.
# Um Só Coração (Globo, 2004) - Juca do Amaral.
# Senhora do Destino (Globo, 2004) - Padre Leovigildo.
# Começar de Novo (Globo, 2004) - Ivan Mishkin.
# Hoje é Dia de Maria (Globo, 2005) - Asmodeu Velho.
# Alma Gêmea (Globo, 2005) - Tio Nardo.
# Sítio do Pica-pau Amarelo (Globo, 2006) - Merlin.
# Eterna Magia (Globo, 2007) - Padre Agnaldo.
# Cinquentinha (Globo, 2009) - Sebastião Batista.
# Passione (Globo, 2010) - Nonno Benedetto.

TV Press
  1. Emiliano Queiroz tem 74 anos de idade, 50 deles dedicados à TV

    Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias/TV Press

  2. Emiliano e Maximira Figueiredo em 'Grande Teatro TV Paulista', em
    1964,


    Foto: Divulgação

  3. Márcia de Windsor, Emiliano e Yoná magalhães em 'Sheik de Agadir', em 1966

    Foto: Divulgação

  4. Fernanda Souza, Marcelo Faria e Emiliano em 'Alma Gêmea', de 2005


    Foto: Divulgação

  5. Emiliano em 'Irmãos Coragem', em 1970

    Foto: Divulgação

  6. Paulo Gracindo, Emiliano e Lima Duarte, em 'O Bem Amado', de 1973

    Foto: Divulgação

  7. Emiliano em 'Hoje É Dia de Maria', de 2005

    Foto: Divulgação

  8. Emiliano em 'Anastácia, a Mulher Sem Destino', de 1967

    Foto: Divulgação

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