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 'A Vida da Gente' mantém audiência com personagens humanizados
13 de fevereiro de 2012 10h04

Dramas cotidianos e conflitos realistas se destacam em 'A Vida da Gente'. Foto: TV Globo/Divulgação

Dramas cotidianos e conflitos realistas se destacam em 'A Vida da Gente'
Foto: TV Globo/Divulgação

MARIANA TRIGO

A Vida da Gente tem ocupado o espaço destinado à delicadeza na TV. Depois de uma sucessão de tramas de realismo fantástico, excessivas cenas de ação, vilões detestáveis, produções com ritmo de "cartoon" ou mesmo com um apelo cômico, a história de Lícia Manzo é uma espécie de oásis na programação da teledramaturgia. Sem vilões, efeitos especiais, núcleo cômico ou enxurradas de intrigas, a trama consegue se sobressair diante da mesmice das produções atuais. Depois da virtuosa fábula Cordel Encantado, a atual novela das seis conseguiu manter a atenção voltada para o horário em um cenário ainda mais difícil: falando apenas de dramas familiares com personagens absolutamente humanizados.

Essa sensibilidade extremada, que mantém a audiência do horário com 19 pontos de média, prova que o público ainda acredita e necessita de produtos que ofereçam mais verossimilhança. O intenso naturalismo da produção e o desfecho improvável da história, que se divide entre a visceral relação entre as irmãs Manu e Ana, de Marjorie Estiano e da surpreendente Fernanda Vasconcellos, consegue interessar o público por causar identificação com dramas do cotidiano.

Nessa teia fraterna de ressentimento, culpa e afinidades, não é tão óbvio analisar erros e acertos ou quem deve ou não ficar com Júlia, a filha biológica de Ana, vivida por Jesuela Moro. Muito menos qual das irmãs deve terminar a história ao lado de Rodrigo, do protagonista Rafael Cardoso. Tanto que a entrada de Gabriel, personagem de Eriberto Leão, como namorado de Manu, surge como uma alternativa para o impasse emocional da história.

Essa ausência de firulas no desenrolar das cenas e o seu naturalismo explícito aproximam o telespectador das emoções mais pueris. Principalmente pela bem escolhida trilha sonora da história, que conta com interpretações comoventes de Gal Costa, Chico Buarque, Elis Regina e Corine Bailey Rae. Essa afetividade presente nos detalhes fica ainda mais evidente com o enquadramento e a duração das cenas do diretor Jayme Monjardim. A sofisticação do olhar de Jayme está sempre presente. Seja nas externas com paisagens devastadoras ou mesmo em tomadas rápidas de estúdio, onde simples detalhes fazem toda a diferença.

TV Press