Novelas

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14 de junho de 2010 • 07h24

Aos 52 anos, Mônica Torres faz sua estreia na Record

Mônica Torres faz sua estreia na Record em 'Ribeirão do Tempo'
Foto: TV Press
 
Manoela Reis

Aos 52 anos de idade e 30 de carreira, a atriz Mônica Torres decidiu, finalmente, se dedicar ao trabalho. Hoje na Record, a intérprete da ex-modelo Célia em Ribeirão do Tempo, novela de Marcílio Moraes, sempre focou mais na vida pessoal e agora tenta recuperar o tempo perdido na profissão. "Tive de correr atrás, engolir o orgulho e suar a camisa. Deixei de lado aquela prepotência da juventude e fui atrás de trabalho", confessou. Assim como Mônica, sua personagem também abriu mão de parte da sua vida para se dedicar mais à filha, a mimada Karina, interpretada por Juliana Baroni, e ao marido, o displicente Bruno, de Giuseppe Oristânio. "Mas a Célia é infeliz com isso, e eu não. Tanto que ela vai se apaixonar por outro homem", adiantou a atriz, referindo-se ao personagem de Victor Fasano, o Dr. Teixeira, com quem Célia terá um caso ao longo da trama. "Ela está em um estado que se tropeçar em um macaco e ele for gentil, ela se apaixona", brincou.

A sua personagem é descrita na sinopse do folhetim como uma mulher que repudia a população da pequena cidade. Apesar disso, ela ainda não apareceu demonstrando essa antipatia pelo povo interiorano. Quando isso vai acontecer?
Na verdade, o perfil da Célia na sinopse é um e o que eu estou gravando é outro. Até hoje não gravei nenhuma cena em que ela se mostre descontente em morar naquela cidade. Até agora ela está mais voltada para a filha, que está tendo uma alteração de personalidade e isso a faz estranhar. O Marcílio ainda vai mostrar esse lado dela. E se a Célia for realmente essa pessoa preconceituosa, pretendo montá-la de uma maneira bem clara para que o público entenda como isso é repugnante.

Essa é sua primeira novela na Record. Antes, além de uma única novela da Manchete, você só esteve em produções da Globo. Depois de tantos anos em uma mesma emissora, você sentiu alguma diferença na mudança?
A Record me paquera há um tempo, mas nunca dava certo. Fui convidada uma vez, mas tinha acabado de me mudar para Nova York com os meus filhos e não queria voltar. Acho que todo o ator que tem oportunidade de sair da Globo e ir para outra emissora passa a ter noção do seu real tamanho. Na Globo, por conta do quadro enorme de funcionários, o que eu faço no mínimo mais 20 atrizes podem fazer. Na Record, por ser uma emissora nova e com menos atores, existem eu e mais duas com esse perfil. Assim dá para sentir o seu valor.

Durante esses trinta anos que esteve na Globo você chegou a ser casada com José Wilker, um ator e diretor respeitado na emissora. De que maneira isso influenciou na sua carreira?
Eu ficava tão constrangida de ser companheira de uma pessoa que tinha um nome, que me atrapalhei muito. Tanto que trabalhei pouco quando fui casada com o Zé. Eu ficava desconfortável e achava que era desigual com as minhas amigas que batalhavam por um papel. Eu era muito rígida comigo. Aprendi que isso era uma grande prepotência da minha parte. Não vejo motivo para não aceitar a ajuda do seu marido. Não agiria assim novamente.

Apesar de estar há trinta anos na TV, você não tem uma carreira com personagens marcantes ou protagonistas. Por que você acha que isso aconteceu?
Sou uma atriz que nunca conseguiu colocar a minha carreira na frente da minha vida pessoal. Sempre estive cercada pelos meus filhos e os priorizei. Tanto que chegou um momento em que me ressenti um pouco por ter feito isso. Mas, mesmo assim, ainda quero grandes personagens e acredito que minha idade não influencia nisso. O que importa para um bom papel é o talento e a dedicação.

Com o José Wilker você teve uma filha, Isabel Wilker, a quem você ainda se refere como criança e que optou também por seguir a carreira de atriz. Você aceitou bem essa escolha? O que aconselhou para ela?
Na verdade, apesar de ela ter mais de 20 anos, eu converso muito com ela para não haver uma confusão entre ser ator e celebridade. Quero que a minha filha ame essa profissão e não queira apenas aparecer em capa de revista. Para isso precisa estudar muito, se dedicar, ir devagar. Tem de se preocupar em fazer uma carreira sólida e repleta de bons personagens. Esse culto às celebridades distorce o que é a nossa profissão.

TV Press