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TV

Regiane Alves interpreta a desorientada Goretti em 'Tempos Modernos'

23 jan 2010
14h37
atualizado em 26/1/2010 às 20h44

Personagens densos e complicados sempre foram o forte de Regiane Alves. Desde sua estreia nos folhetins, ainda no SBT, como a sofrida Clara de Fascinação, em 1998, até a adolescente rebelde Dóris, de Mulheres Apaixonadas, exibida pela Globo em 2003, a atriz sempre se destacou em histórias dramáticas. Por isso mesmo, encarnar a ricaça Goretti de Tempos Modernos é tão motivador. Novata na comédia, Regiane confessa que vem direcionando sua carreira para esse lado e espera, com o trabalho, poder se aperfeiçoar no gênero. "Ainda não me sinto completamente à vontade, mas quero me superar. O que o ator mais busca é a versatilidade", argumenta.

Aos 31 anos, Regiane também vê com bons olhos o fato de voltar a interpretar personagens mais próximos de sua idade. Depois de alguns trabalhos imprimindo inquietações juvenis aos papéis, a atriz se diverte por agora encarnar a mãe de quatro meninas, todas com o nome de Maria na trama. "A televisão sempre me deixou muito garota. Acho bacana mostrar que eu estou envelhecendo", reflete.

Tempos Modernos é sua primeira novela com um papel cômico. Como você lidou com essa mudança?
De uns tempos para cá, minha carreira tem se virado um pouco para esse lado de comédia e estou curtindo bastante a nova fase. Por isso a possibilidade de fazer um papel cômico me motivou muito desde o início. Quando fiz Beleza Pura, a Joana estava costurando o drama de uma história central que tinha umas pitadas de humor, mas não era cômica. Já a Goretti não, ela tem esse traço bem marcado, inclusive em sua descrição. Nunca fiz um papel com tantas informações, tão cheio de detalhes. Uma das coisas mais divertidas é o jeito perdido que a personagem tem. Até porque ela não é uma vilã, só entra na disputa pelo império que o pai construiu para conseguir reconhecimento perante a sociedade. Como uma emergente, ela acha que ninguém vai dar valor a ela se não tiver poder.

Quando você começou a sentir que estava caminhando para uma interpretação mais cômica?
Já em Páginas da Vida, um dos caminhos que escolhi para construir a Alice daquele jeito mimado e temperamental foi o do humor. Não chegava a ser um trabalho cômico, mas me direcionei para isso de uma forma bem sutil.
Depois, fiz o espetáculo Ricardo III, dirigido pelo Jô Soares. Ali eu contracenava com gente boa na área do humor, como o Ary França e a Denise Fraga. Quando você convive com essas pessoas, começa a pegar o ritmo. Quando veio Beleza Pura, por mais que não fizesse um personagem de comédia, eu estava do lado de várias pessoas que têm esse dom, como o Bruno Mazzeo. Cheguei a fazer uma peça com ele e isso me ajudou muito.
Claro que ainda tenho um pouquinho de medo. Não me sinto completamente confortável nessa posição, mas é muito bom se sentir desafiada.

De onde partiu o convite para que você entrasse em Tempos Modernos?
Essa é a primeira direção assinada pelo José Luiz Villamarim, com quem já trabalhei em Desejos de Mulher, Mulheres Apaixonadas e Cabocla. Desde o início, ele conversou comigo e disse que gostaria que eu fizesse a novela. Sempre curtimos o trabalho um do outro e é bom você poder contar com pessoas amigas, de confiança, em determinados projetos. Quando começamos a conversar, nem sabíamos que papel eu faria. Depois é que veio a Goretti. E eu estava há um ano fora do ar, já tinha dado tempo de descansar de Beleza Pura. Fazer protagonista é complicado, foi bom voltar sem esse peso.

Protagonizar uma novela assustou você?
Hoje em dia, tiro mesmo o chapéu para quem emenda uma na outra, sempre com um papel principal. É muita responsabilidade assumir esse posto. Em Tempos Modernos, estou no núcleo central, interpreto uma das filhas do personagem que movimenta a história mas, mesmo assim, tenho tempo para curtir. Em papéis menores, você elabora mais, estuda bem o texto e pode se preparar para cada cena. Já a mocinha suga muito.
No máximo, você folga no domingo e, quando chega a quarta-feira, já está exausta.

Dentro da Globo, você sente diferenças de antes e depois de ter sido protagonista? Acha que é mais respeitada como atriz agora?
Sempre me sinto muito reconhecida na televisão. Desde quando assinei pela primeira vez. Quando fechei o contrato, não tinham nem personagem para mim. Depois é que apareceu a oportunidade de fazer A Muralha. Sinto que me veem como uma atriz que pode fazer coisas bem diferentes. Me aventuro no drama, na comédia, como mocinha, como vilã, enfim, minha meta é sempre buscar essa versatilidade.

Você não tem vontade de protagonizar outras novelas?
Tenho, não existem motivos para não ter. Mas a estrutura da teledramaturgia mudou bastante.
Hoje, a mocinha não é mais protagonista sozinha.
Só em novelas como Paraíso, por exemplo, onde tudo estava centrado na Santinha, da Nathália Dill. Na maioria das novelas existem personagens que são do núcleo central e permitem que você se prepare melhor. Mas espero que um dia venha, de novo, a chance de viver uma mocinha.

Quase todas as suas personagens eram mais jovens que você na época em que as interpretou. Como é fazer o papel de uma mãe de quatro crianças, da sua faixa etária?
Acho legal a gente assumir a idade que tem. A televisão sempre me mostrou muito como garota.
Até fiz uma mãe em Laços de Família, mas já em seguida voltei ao ar em duas adolescentes seguidas, em Desejos de Mulher e Mulheres Apaixonadas. Mas isso também foi bom para mim. É ótimo quando você consegue fazer papéis distantes da sua realidade. Além disso, também amadureci e a idade traz coisas boas. Tenho uma segurança maior.

Quando você foi chamada para ser a mocinha de Beleza Pura, mencionou que seria uma oportunidade de se redimir perante o público, por conta da Dóris de Mulheres Apaixonadas, que maltratava os avós. Acha que conseguiu?
Hoje vejo que, na verdade, essa redenção era muito mais interna do que externa. As pessoas gostam de se lembrar que fiz a neta que maltratava os avós e isso é positivo. Você pega um artista de 50 ou 60 anos e sempre vão ter uns dois, três personagens mais marcantes em sua carreira. Acho que já tive meu primeiro.

Tempos Modernos, Globo, Segunda a sábado, às 19h15.

Início nômade
A história de Regiane Alves com a Globo começou antes da assinatura de seu contrato, em 1999. A atriz foi da turma da Oficina de Atores da emissora um ano antes, mas, ao final do curso, não foi aproveitada. Disposta a trabalhar, fez testes no SBT e agradou tanto que faturou, logo em sua estreia, o papel da romântica Ana Clara, protagonista de Fascinação. "Não fiquei chateada por não ter rolado nada na Globo. Na verdade, até agradeci. Ainda estava muito crua, precisava aprender muito", lembra.

De lá, Regiane ainda passou pela Band, onde participou do "remake" de Meu Pé de Laranja Lima. Só depois assinou contrato com a Globo e estreou em A Muralha, trabalho que praticamente emendou com Laços de Família, em 2000. "Dei sorte de cara.

"Eles sempre apostaram em mim e me deram bons personagens", valoriza ela que, nesta última novela, encarnou outra Clara, desta vez ciumenta e em crise no casamento.
A partir daí, Regiane conquistou não só a direção da emissora como também a confiança do autor Manoel Carlos. Tanto que marcou presença nas duas novelas seguintes do autor, Mulheres Apaixonadas e Páginas da Vida. "Todos os papéis que o Maneco me deu foram fundamentais para meu crescimento na tevê. Tanto que são os que o público mais lembra", argumenta a atriz, que também ganhou destaque no "remake" de Cabocla, em 2004, como a doce Belinha.

Tantas aparições bem sucedidas lhe renderam a escalação para viver a dedicada Joana, mocinha de Beleza Pura, em 2008. "Muita gente questionava se eu não tinha esperado muito para protagonizar, mas acho que veio no tempo certo. Eu me sentia mais preparada e estava começando a sentir falta disso", recorda.

Visual moderno
Para encarnar a emergente Goretti, Regiane precisou cortar e clarear os cabelos. A mudança, apesar de radical, não a preocupou. "No ar, nunca apareci loura. Mas eu era assim dos 13 até os 19 anos. Adorei o resultado", justifica. A transição também ajudou na composição da personagem. Além de garantir um "look" perua, ainda abriu caminho para que a atriz e a figurinista Emília Duncan pudessem abusar dos acessórios. Ainda mais que o exagero é uma das principais marcas da personagem. "Quando você se olha no espelho e não vê o seu rosto, começa a nascer o seu 'filho'. A caracterização e o figurino são fundamentais em qualquer processo de criação de personagem", enfatiza.

Trajetória televisiva

"Fascinação" (SBT, 1998) - Ana Clara
"Meu Pé de Laranja Lima" (Band, 1998) - Lili
"A Muralha" (Globo, 2000) - Rosália
"Laços de Família" (Globo, 2000) - Clara
"Desejos de Mulher" (Globo, 2002) - Letícia
"Mulheres Apaixonadas" (Globo, 2003) - Dóris
"Cabocla" (Globo, 2004) - Belinha
"Páginas da Vida" (Globo, 2006) - Alice
"Beleza Pura" (Globo, 2008) - Joana
"Tempos Modernos" (Globo, 2010) - Goretti

Regiane Alves será a atrapalhada Goretti
Regiane Alves será a atrapalhada Goretti
Foto: Reprodução
Fonte: TV Press

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