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Fernanda Montenegro festeja grandes papeis sem plástica

4 dez 2012
09h12
atualizado às 09h12
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Prestes a estrear o especial de fim de ano Doce de Mãe, Fernanda Montenegro assume que nunca pensou em fazer plástica e que a idade lhe proporcionou fazer grandes papeis na televisão, como a matriarca da família Assumpção, a vilã Bia Falcão, de Belíssima, que terminou em Paris ao lado do bonitão Mateus, vivido pelo ator Cauã Reymond.

Atriz lançou o especial de fim de ano 'Doce de Mãe' nesta segunda-feira (3)
Atriz lançou o especial de fim de ano 'Doce de Mãe' nesta segunda-feira (3)
Foto: Roberto Filho / AgNews

"Eu acho que quem foi por aí (fazer plásticas) e ficou bem e feliz, fez muito bem de fazer. Não me oponho a nada, cada um faz com o seu rosto, o seu corpo e a sua vida o que bem quiser. Quando abri os olhos já não dava mais. Agora é tarde, e vai assim mesmo", brincou a atriz. "Eu estou muito feliz assim, no fundo é um certo descanso, por que só dão velha para a gente fazer, e geralmente são papeis bons. Então não tenho que focar nos papos ou rugas, vai no natural. Ainda ganho garotão em Paris, com tudo em cima, então não posso me queixar", disse Fernanda, lembrando do final de sua personagem Bia Falcão em Belíssima.

Um dos grandes dotes da sua nova personagem Picucha é a culinária, ramo que Fernanda diz também enveredar. Embora não seja uma mestre-cuca na cozinha, a artista afirma que seus netos adoram seu macarrão. "Sei fazer massas muito bem, aprendi com meus avós italianos. Meus netos adoram o meu macarrão e o meu cabelinho de anjo. Além do meu arroz e feijão. Só não dá para pedir comida francesa, aí não dá", disse a vovó coruja.

A atriz, que dedicou 65 dos seus 83 anos aos palcos, à telona e à televisão, fala que adora ser lembrada, mas que ser chamada de mito a incomoda. Fernanda ainda brincou que se ninguém se lembrasse dela era melhor " dar um tiro na cabeça". "Se depois de 65 anos de batalha, ainda viva, ninguém lembrar de mim ou querer ficar ao meu lado, é melhor você dar um tiro na cabeça. Agora falar que eu sou um mito é uma fantasia, porque eu não sou um mito. Sem nenhuma demagogia, eu sei das minhas falências e das minhas dificuldades. É uma profissão muito difícil por que exige um vestibular por dia, um vestibular a cada hora", esclareceu.

NOVO DESAFIO
Picucha vive uma nova fase em sua vida, o que para a atriz se transforma em um momento mágico e fascinante, já que a personagem, como a maioria das mulheres da sua idade, nunca viveu a liberdade por completo. Para Fernanda, embora a personagem saiba no fundo da alma dela que é uma senhorinha de oitenta e tantos anos, sem aqueles cuidados todos de hoje em dia, de cirurgias plásticas ou cremes, ela é muito sábia, alegre, palhaça e com muita humanidade dentro dela.

"Ela sempre teve alguém com ela: os pais, o marido, os filhos ou a empregada. Ela saiu da casa dos pais, foi para a casa que montou com o marido e pela primeira vez ela vai para o samba, vai beber ou cumprir uma promessa. Pela primeira vez é ela, com ela mesmo. É uma liberdade já no fim da vida, mesmo que dure pouco tempo, é uma experiência absolutamente nova para ela. As novas gerações não sabem o que é isso. Essa geração saia da mão do pai, para a mão do marido, que passava para a mão dos filhos e depois para o cemitério. Mas tem uma hora, mesmo com idade avançada, que o ser humano quer ter uma vida, sem ninguém segurando o braço. Pode quebrar a perna, o braço ou o pé, mas eu vou sozinha. Esse também é o espirito desse especial", falou a atriz.

Fernanda fala com naturalidade sobre a morte e como ela está próxima de todos e afirma que não pensa nisso 24hs por dia. "Quando a gente é jovem tem obrigação de achar que está lá no planeta Júpiter. Quando chega na minha idade está ali na Lua, bem mais próximo. Então tem um hora que ela vem no pensamento e tem hora que ela não vem no pensamento. Quando vem no pensamento é "ai meu Deus, que horror!", e quando não vem, você nem lembra", concluiu a dama do teatro brasileiro.

Fonte: Terra
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