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SBT vive lamentável desvalorização de seu telejornalismo

A emissora troca âncoras respeitados por apresentadores apoiados em polêmicas

21 fev 2017
09h32
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Ainda que o SBT seja uma concessão pública, Silvio Santos tem o direito de fazer o que quiser com a emissora. Basta arcar com as consequências.

No caso da instabilidade que ele impõe ao jornalismo do canal com decisões monocráticas e intempestivas, o efeito colateral é a depreciação do departamento.

O dono da TV demonstra não se preocupar com um fator imprescindível: a credibilidade dos telejornais que coloca no ar.

Nas últimas semanas, o jornalismo do SBT gerou apenas notícias negativas na mídia. A começar pelas coreografias lascivas de Dudu Camargo.

Como confiar num telejornal cujo apresentador encerra o noticiário fazendo striptease ao som de música sertaneja ou funk?

A ascensão do âncora juvenil parece ter precipitado a demissão de Joyce Ribeiro e Patrícia Rocha, apresentadoras talvez discretas demais para a função.

Marcão do Povo e Dudu Camargo: jornalismo dançante
Marcão do Povo e Dudu Camargo: jornalismo dançante
Foto: YouTube SBT / Reprodução

Na semana passada, a contratação de Marcão do Povo produziu mais manchetes desfavoráveis. O apresentador ganhou má fama nacional ao chamar a cantora Ludmilla de “pobre macaca” no ‘Balanço Geral DF’.

Demitido da Record, foi contratado pelo SBT com status de estrela para reforçar as performáticas manhãs da emissora.

O que esperar de um canal que recruta um apresentador com base na repercussão midiática de uma declaração racista?

Marcão estreou na segunda-feira (20) também requebrando os quadris ao lado de Dudu. A audiência não correspondeu à expectativa suscitada pela polêmica.

Para aprofundar a fase retrógrada, o SBT dispensou Hermano Henning, âncora com experiência de correspondente internacional que ocupou as bancadas da emissora por 23 anos.

Qualquer empresa pode abrir mão de um funcionário, não seria diferente com um canal de TV. Contudo, neste caso, faltou bom senso ao fazê-lo justamente no momento em que a credibilidade do jornalismo da emissora derrete aos olhos do público e da imprensa.

Entre os apresentadores que permanecem na casa há profissionais que já foram referências do telejornalismo e hoje se restringem à burocrática leitura do teleprompter.

Existe ainda quem viveu rápida ascensão por demonstrar personalidade própria e, após a imposição de uma mordaça invisível, tenha perdido espaço relevante no debate nacional.

Dos remanescentes destaca-se Roberto Cabrini. Jornalista com produção brilhante, ele salva o jornalismo do SBT com reportagens investigativas e a cobertura de factuais.

Suas matérias no ‘Conexão Repórter’ colocam o programa no nível de produções de qualidade internacional como o ‘60 Minutes’ da americana CBS e os documentários da britânica BBC.

Triste constatar que o SBT, emissora tão carismática que em 1988 oxigenou o telejornalismo no País ao lançar o ‘TJ Brasil’ com Boris Casoy, consolidando a figura do âncora e promovendo mais interação com o telespectador, viva hoje um momento de tamanho empobrecimento jornalístico e autodesvalorização de sua imagem.

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