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Os segredos do sucesso de Chaves 1 ano após morte de Bolaños

Divulgação
12 dez 2015
09h22
atualizado às 10h49
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Há um ano, o mundo perdeu a genialidade do ator, comediante e diretor Roberto Bolaños (1929-2014), criador dos personagens Chaves e Chapolin. Desde então, os principais seriados dirigidos por ele não saíram da televisão em vários lugares da América Latina.

O personagem Chaves, por exemplo, é um dos mais conhecidos do continente. E o protagonista de um negócio crescente que mantém em alta a popularidade de seu criador, morto em 28 de novembro de 2014.

As marcas criadas pelos personagens de Bolaños estampam produtos como roupas, sapatos, mochilas e videogames.

Em 2012, a revista Forbes divulgou que, desde o fim da produção de Chaves e Chapolin em 1995, o grupo criado por Bolaños havia lucrado cerca de US$ 1,7 milhão.

Mas o filho do comediante, Roberto Gómez Hernández, afirma que essa cifra não é real.

Popularidade dos personagens de Roberto Bolaños continua em alta no México e em países da América Latina
Popularidade dos personagens de Roberto Bolaños continua em alta no México e em países da América Latina
Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBC News Brasil

"Isso significaria todo o lucro que a Televisa (canal de TV que transmitia os programas quase desde o início, em 1971) teve em muitos anos", disse ele à época. "É impossível."

Depois da morte do ator, alguns veículos de mídia afirmaram que o patrimônio acumulado por ele chegaria a algo entre US$ 15 milhões e US$ 50 milhões.

Mas esses números nunca foram oficialmente confirmados.

Mas qual foi o segredo de Bolaños para criar um negócio tão bem-sucedido?

Empresário sagaz

A resposta é que Bolaños foi, além de diretor, um comediante popular e, mais do que isso, um homem de negócios eficiente e sagaz, segundo especialistas.

Primeiro porque conseguiu criar um produto especial, com suas próprias características, e oferecer algo que nenhum outro programa de TV tinha.

Outro elemento foi a decisão de exportar o programa a outros países da América Latina. Isso elevou muito o número de telespectadores que, no ápice do programa, chegou a 91 milhões de pessoas por dia, segundo a Forbes.

Produtos licenciados, como DVDs, continuam a movimentar o negócio em torno das criações de Bolaños
Produtos licenciados, como DVDs, continuam a movimentar o negócio em torno das criações de Bolaños
Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBC News Brasil

Mas o fator mais importante foi que muitas pessoas no México e na América Latina se identificaram com a vida das pessoas na vila do Chaves. As histórias dos personagens se pareciam muito com as das famílias que assistiam ao programa.

O consultor Carlos Flores destaca que isso criou um vínculo que garantiu a fidelidade do público.

"Como consumidores, compramos de empresas ou pessoas que compartilham nossos valores, que ofereçam histórias que sejam um reflexo do que somos", afirmou.

Quico e Chiquinha

Mas não foi só a estratégia comercial que ajudou o negócio que representa a marca de Bolaños. Desde o início, quando criou os personagens, o comediante registrou o nome de todos eles. Isso provocou alguns problemas com os companheiros.

Primeiro foi com Carlos Villagrán, que interpretava Quico, um menino rico da vizinhança com quem Chaves brincava – e brigava – frequentemente.

Villagrán deixou o programa em 1978. Por força das restrições legais – o personagem havia sido registrado por Bolaños -, não pôde se apresentar como Quico sob nenhuma circunstância no México.

Funeral de Bolaños reuniu milhares de pessoas no estádio Azteca, na Cidade do México
Funeral de Bolaños reuniu milhares de pessoas no estádio Azteca, na Cidade do México
Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBC News Brasil

O ator acabou fazendo carreira na América do Sul com o mesmo personagem, a quem deu o novo nome de "Kiko". Mas o maior problema aconteceu com María Antonieta de las Nieves, a Chiquinha, que protagonizou uma disputa judicial pelos direitos da personagem.

No fim, houve uma espécie de acordo com Bolaños, segundo a atriz contou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, e ela passou a interpretar a garota sem pagar nada por isso.

Mas isso acabou tendo um custo. A Chiquinha não aparece na série "El Chavo Animado", como acontece com os outros personagens.

Problemas de família

Não são todos, porém, que parecem estar contentes com o êxito do negócio, segundo a jornalista Victoria Tapia, especialista em espectáculos no México.

Aparentemente, os problemas surgem em razão das instruções que Bolaños deixou sobre seu patrimônio.

"Para proteger a mulher de sua vida (sua última esposa, Florinda Meza), ele deixou para ela propriedades e dinheiro em contas bancárias", explicou a jornalista.

"Os lucros da série de animação são para os filhos dele, mas essa decisão não satisfez a atriz, que está disposta a entrar na Justiça por isso."

O distanciamento com María Antonieta de las Nieves também permaneceu – ela diz não ter sido convidada para a cerimônia em homenagem ao primeiro aniversário da morte de Bolaños.

"Florinda Meza continua sem fazer as pazes com ela", afirmou Victoria Tapia.

Enquanto isso, o negócio criado por Roberto Bolaños segue seu curso, fazendo sucesso mesmo depois de sua morte. Neste ano, estreou a versão de animação do Chapolin Colorado.

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