0

Ex-prostituta na série 'A Teia', atriz diz: "é uma mulher comum"

29 jan 2014
19h58
  • separator
  • comentários

Andréia Horta se define como uma atriz criadora. Aos 30 anos e com a segurança de quem sabe exatamente o que quer, ela acredita ser, como intérprete, responsável pela própria trajetória. Por isso, conduz sua carreira na direção que mais lhe instiga. E sente orgulho dos trabalhos que acumula na televisão até agora. Entre eles, séries como A Cura e Alice e novelas como Cordel Encantado e Chamas da Vida, da TV Record.

<p>Andr&eacute;ia Horta atuar&aacute; ao lado de Paulo Vilhena na nova s&eacute;rie da TV Globo</p>
Andréia Horta atuará ao lado de Paulo Vilhena na nova série da TV Globo
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias / Divulgação

"Eu venho chegando de uma maneira muito sólida, com trabalhos sólidos. Acho que foi uma construção bonita", avalia ela, que volta ao ar em A Teia, na pele de Celeste, a partir do dia 28.

Na série policial de Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani, Andréia encarna uma ex-prostituta que se envolve com Baroni (Paulo Vilhena). Ele é o chefe da quadrilha da qual o pai de sua filha, que está preso, faz parte. É durante as visitas ao parceiro na cadeia que a personagem o conhece e os dois acabam se apaixonando verdadeiramente.

"O que mais me chamou atenção na Celeste é que é uma mulher comum, inteligente, que se vira como pode e tem uma articulação muito silenciosa de como faz isso. Acho muito interessante", descreve. Como preparação para a série, que foi gravada no primeiro semestre de 2013, a atriz participou de leituras de mesa com o elenco. Não investiu em pesquisa de campo, mas em entender o passado de Celeste, através de informações dadas pelos autores, para desenvolver uma consistência cênica.

"Eu me dedico a inventar uma pessoa que tem um passado, que tem um jeito de mexer no cabelo, de olhar, de respirar, que tem um jeito de andar...", frisa.

TV Press - Sua personagem é uma ex-prostituta. Como essa característica é explorada na série?
Andréia Horta - 
A série tem idas e vindas, não é contada na ordem cronológica, o que é uma marca dramatúrgica forte do Bráulio. Foi um recurso que ele utilizou em Cidade de Deus, por exemplo. No decorrer da série, você vai montando a teia na sua cabeça. Tem uns flashes do passado. Você não vê a minha personagem como prostituta em nenhum momento. Fica muito claro na dramaturgia, através das cenas, que ela estava vivendo disso antes de o Baroni assumi-la como mulher.

Em A Teia, você aparece em cena com mechas louras e roupas bem justas. Que importância a caracterização tem para o seu trabalho?
É fundamental. A prova de roupa, para mim, começa sendo o momento mais importante porque, junto com o figurinista, vejo se é aquela roupa mesmo. E o figurinista, geralmente, já está envolvido com o processo antes da gente, ele está preparado para pesquisar o visual de cada um. Quando nós chegamos, já tem o desenho do figurino daquele personagem e vamos provando as roupas para ver o que é bom e o que não é. O figurino da Celeste é o meu segundo ponto de partida.

Qual é o primeiro?
É que o figurino chega em um momento em que eu já sei sobre a personagem, que já li todos os capítulos. Então, na prova de figurino, eu também estou entendendo do que estamos falando. Aí, fomos construindo juntos. A direção bate o martelo também. É um trabalho bem coletivo.

As gravações de A Teia aconteceram no primeiro semestre de 2013 e a estreia só foi acertada para um ano depois. Essa demora alterou sua rotina para trabalhos posteriores?
Na verdade, a grade da Globo vai de abril a abril. Por isso, a nova programação é lançada em março. É sempre assim. Então, estava dentro do previsto. A gente já tinha terminado mesmo de gravar. Era só uma questão de data de estreia.

Mas você foi convidada para substituir Alinne Moraes na novela Em Família e não pôde aceitar...
Fui convidada para fazer a personagem. O Manoel (Carlos, autor) e o Jayme (Monjardim, diretor) me convidaram. O Jayme disse que foi um convite do Maneco e eu fiquei muito contente. Mas não foi possível porque ia estar concomitantemente em duas produções, o que não é uma prática da Globo.

Sua trajetória na televisão é pautada por projetos que variam entre séries mais conceituais, como Alice, da HBO, e A Cura, da Globo, e novelas, como Cordel Encantado e Amor Eterno Amor. Atuar em formatos diferentes é uma busca sua?
Acho que sim. Fico muito feliz com minha trajetória até agora. Pude revezar, em um trabalho depois do outro, coisas diferentes. Desde lá do começo em "Alice" e depois com "A Cura", que eram completamente diferentes. "Cordel Encantado" era novela de época e, em seguida, fiz "Amor Eterno Amor", uma comédia escrachada. E saí disso para esse drama de bandido em "A Teia". Depois, para uma mulher com leucemia, com dois filhos, sofrida, que morre em "Sangue Bom". Então, fico muito contente.

Como faz para se diferenciar entre um trabalho e outro?
Busco no ser humano. Acho que meu ofício é ter a responsabilidade de mostrar o homem para o homem, o que ele tem de terrível e de maravilhoso. É ser um espelho mesmo. Por isso que eu acho que fazer televisão é uma coisa tão importante.

Como assim?
Porque a televisão geralmente trata de temas muito atuais e tem muito alcance. Assim como é a função da dramaturgia teatral também: sempre tratar de um tema ou universal ou contemporâneo, mas falando do homem e suas questões.

Você estreou na TV em JK, de 2006, mas se sobressaiu mesmo ao protagonizar Alice, na HBO. O que esse trabalho representou na sua carreira?
Acho que foi um nascimento para a crítica. Caiu nas graças das pessoas que viram o trabalho. Era uma série que ia ao ar uma vez por semana, assistia quem queria e foi a série de maior Ibope da HBO até hoje. Ainda carregava o nome da minha personagem. Tenho o maior orgulho. A gente trabalhou muito, eu tinha 24 anos, era um susto. Mas eu estava muito bem amparada pela equipe e pelo canal. Nada de ruim ia ao ar. Tudo era visto, revisto, analisado, cuidado e tratado.

Em seus trabalhos, você costuma transitar entre humor e drama. Sente-se mais confortável em algum gênero?
Gosto de transitar para viver. Mas tenho uma queda forte pelo drama porque acho que ele possibilita vasculhar coisas que não se sabe dizer, vasculhar onde dói. Agora, a inteligência tem de estar em funcionamento quando você faz comédia. A inteligência de tempo, de respiração. Comédia é um exercício de inteligência.

A TV costuma criar estereótipos e aproveitar atores naquilo que eles já funcionaram anteriormente. Mas você não é taxada por um perfil específico de personagem. Você vai atrás dessa diversidade?
Claro. Primeiro porque eu acho que vai de como você assina cada trabalho. É um pouco de responsabilidade do ator, um pouco de bom senso. Ano passado, apareceram dois filmes que eu entendi que já tinha entregado para o mundo uma coisa muito parecida. Então, disse: "muito obrigada, mas não quero fazer por isso". É uma responsabilidade nossa mesmo, depende do que você quer fazer da sua vida.

E na televisão já se viu em situação semelhante em que precisou recusar algum trabalho?
Ainda não tive de negar nada. Só me convidaram para trabalhos que disse: "eu faço, eu quero". Foram coisas diferentes que gostei. No teatro e no cinema que já aconteceu de eu negar por não me interessar artisticamente.

Você faz um estilo mais "low profile" e quase não aparece na mídia. Como lida com a fama e com o assédio que ela pode provocar?
A fama não foi imediata para mim, veio muito devagar. Eu venho chegando de uma maneira muito sólida, com trabalhos sólidos. Acho que foi uma construção muito bonita. Meu primeiro trabalho não foi um trabalho que todo mundo falou: "quem ela é? Tem de saber tudo da vida dela". Não, ninguém sabe nada da minha vida. Estou com 30 anos, voltei para a Globo em 2010. E, ainda assim, se você sair comigo na rua, não acontece nada. Não sou alvo de paparazzi. Existe, sim, um assédio, mas vem com tranquilidade. Acho que a maneira como eu conduzo também tem ajudado muito. A gente é muito responsável pelo modo como as coisas acontecem.

É preciso paciência
Andréia Horta enxerga sua formação teatral como uma grande transformação artística. Aos 17 anos, depois de frequentar cursos amadores de interpretação em sua cidade natal, Juiz de Fora, Minas Gerais, mudou-se para São Paulo para fazer faculdade de Artes Cênicas.

Lá, estudou na Escola Livre de Santo André e integrou o Teatro da Vertigem, liderado pelo diretor Antônio Araújo. "Eu mergulhei no que já era, para mim, uma coisa muito importante, muito sagrada. Nunca foi qualquer nota. Eu não aspirava uma capa, eu aspirava um trabalho que me alargasse como gente", filosofa.

Fazer televisão também sempre esteve nos planos de Andréia. A estreia no veículo aconteceu como Márcia Kubitschek, em JK, exibida pela Globo em 2006, depois que um produtor de elenco se interessou por seu trabalho na peça Crime e Castigo, uma adaptação da obra de Fyodor Dostoyevsky.

Mas a oportunidade de fazer um teste para a TV só se concretizou dois anos depois. "Naquele dia, ele falou que ia me chamar quando surgisse algo, mas que não iria me chamar para qualquer coisa. E disse para eu confiar nele, mesmo que demorasse. Só que achei que ele estava falando de 3, 4 meses", recorda, aos risos.

De cabeça
É visivelmente emocionada que Andréia Horta fala sobre sua breve – mas intensa – participação em Sangue Bom. Um mês antes de entrar no ar, ela ficou sabendo que interpretaria Simone, a irmã de Amora, protagonista de Sophie Charlotte, a qual abandonara quando criança.

Na trama, a personagem apareceu com dois filhos, viúva, sem dinheiro e prestes a morrer de leucemia. Diante de uma breve sinopse, a atriz estudou e foi em busca de referências. Mas a preparação que mais a marcou foi uma carta que resolveu escrever como se fosse Simone um dia antes de começar a gravar.

No documento, a personagem explicava o que havia acontecido em sua vida desde quando se separou da irmã. "Na véspera, entreguei para a Sophie. Ela leu e demos um abraço que choramos as duas. Foi muito precioso ter feito", recorda ela, que se empenhou para alcançar o ritmo de quem já estava no ar há seis meses. "Eu tinha de chegar com uma culpa em cena, com um passado. Por isso também tinha de trabalhar muito para já chegar quente, fervendo", completa.

Trajetória Televisiva
# JK (Globo, 2006) - Márcia Kubitschek
# Alta Estação (Record, 2007) - Renata
# Alice (HBO, 2008) - Alice
# Chamas da Vida (Record, 2008) - Beatriz
# A Cura (Globo, 2010) - Rosângela
# Cordel Encantado (Globo, 2011) - Bartira
# Amor Eterno Amor (Globo, 2012) - Valéria
# Sangue Bom (Globo, 2013) - Simone
# A Teia (Globo, 2013) - Celeste

&amp;lt;a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/diversao/tv/infograficos/atrizes-mais-bonitas-da-tv/iframe.htm" href="http://www.terra.com.br/diversao/tv/infograficos/atrizes-mais-bonitas-da-tv/iframe.htm"&amp;gt;veja o infogr&aacute;fico&amp;lt;/a&amp;gt;
Fonte: TV Press

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade
publicidade